MANIFESTAÇÃO SOBRE A SECA E AS QUEIMADAS NO PANTANAL

A Federação Brasileira de Geólogos/as – FEBRAGEO, vem por meio desta nota se manifestar em relação a seca e as queimadas no Pantanal. Conforme o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden/MCTIC), a maior planície alagada do mundo, passa pela sua maior estiagem em, pelo menos, 60 anos, sendo que no mês de agosto grande parte do bioma esteve na condição de seca, com intensidade variando de fraca a intensa.

No século XX o Pantanal vivenciou ao menos uma seca prolongada durante a década de 1960, tal evento ficou marcado na memória dos pantaneiros e também foi retratado em poemas de Manoel de Barros, como Carreta Pantaneira, que cita os “Dez anos de seca tivemos. Só trator navegando, de estadão, pelos campos. Encostou-se a carreta de bois debaixo de um pé de pau. Cordas, brochas, tiradeiras com as chuvas, melaram”. Com as chuvas do ano 1974, as águas voltaram a ocupar grandes dimensões territoriais.

Infelizmente, em um ano de seca atípica, os governos estaduais e federal, se mostraram ineficientes para evitar os 17.577 focos de incêndios registrados até 29 de setembro no Pantanal. Este número representa um aumento de quase 200% em relação a 2019 e mais de 320% em relação a 2018, e quebrou todos os recordes desde que a série histórica estabelecida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em 1998. Em 27 de setembro de 2020, 23% do bioma já tinha sido consumido pelas chamas, porém o fogo ainda continua em vários locais. A seca e as queimadas causam inúmeros impactos ambientais, desde a morte de animais silvestres até a redução da qualidade do ar em toda a região, afetando milhões de pessoas.

As oscilações dos ciclos hidrológicos em escala temporal de décadas ou séculos são normais e podem ser agravadas devido aos impactos das mudanças climáticas. Porém, é possível prever e se preparar para esses eventos, e com isso mitigar os seus efeitos. O fortalecimento das instituições de pesquisa e o desenvolvimento de políticas públicas baseadas em dados científicos são fundamentais para minimizar o efeito de situações anormais. Além disso, é preciso que o governo estabeleça uma política eficiente de combate as queimadas, empenhando os esforços necessários, como, por exemplo, ampliar o número de brigadistas, utilização de aviões e outros recursos para combater o fogo, além de punir com rigidez responsáveis por incêndios criminosos. A construção de cisternas e poços no pantanal, também pode proporcionar o acesso a água em momentos de seca prolongada. Medidas de ordenamento territorial pensando a dinâmica do pantanal e ações de educação ambiental, podem contribuir para minimizar os impactos humanos no meio.

Conforme registrado na história recente, os períodos de seca neste bioma podem durar até 10 anos, e por isso, é fundamental que sejam desenvolvidos estudos e políticas, pensando no meio ambiente e nas pessoas que vivem na maior planície alagada do planeta. Desta forma, a FEBRAGEO se soma a diversas instituições e pessoas, que cobram dos governos ações práticas para minimizar os impactos causados pela seca e pelas queimadas no ano de 2020, e cobrar planejamento e seriedade para que este triste episódio não se repita em 2021 e nos próximos anos.

Atenciosamente,

 

São Paulo, 06 de outubro de 2020.

 

 

Diretoria da FEBRAGEO

Associação de Geólogos de Cuiabá (GEOCLUBE)

Associação dos Profissionais Geólogos do Estado de Mato Grosso (AGEMAT)

 

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