Evento online Semanas de Inovação Suécia-Brasil discute negócios sustentáveis

Programação abordará, de 09 a 20 de novembro, parcerias em mineração sustentável, desperdício de alimentos, 5G e biogás. Maior parceiro comercial da Suécia na América Latina, Brasil é importante mercado para as mais de 200 companhias suecas em atuação no país, que empregam 70 mil pessoas e geram receitas de R$ 84,5 bilhões.

 

Inovação e sustentabilidade. Esses são os temas que unem Brasil e Suécia, países que há quase dois séculos mantêm estreitas relações comerciais e diplomáticas que, nos últimos anos, intensificaram a parceria em áreas como mobilidade urbana, energia renovável, aeronáutica e 5G.

Empresários, pesquisadores de universidade e autoridades dos governos da de ambos os países irão se reunir a partir desta segunda-feira (9/11) nas Semanas da Inovação Suécia-Brasil. O evento, organizado pela Embaixada da Suécia em parceria com o Business Sweden, a Câmara de Comércio Sueco-Brasileira, o Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro e os consulados do país escandinavo no Rio e em São Paulo, contará com debates online voltados a ideias inovadoras.

"As Semanas de Inovação Suécia-Brasil têm como principais objetivos fortalecer a Suécia como um parceiro de inovação de longo prazo para o Brasil, celebrar parcerias existentes e descobrir oportunidades de cooperação bilaterais e multilaterais", conta a embaixadora da Suécia no Brasil, Johanna Brismar Skoog. A diplomata explica que a 9ª edição do evento, que está sendo realizado pela primeira vez de forma totalmente online, terá como foco este ano a Inovação Sustentável. "Contaremos em duas semanas com quase 30 seminários dedicados a temas como Mineração Sustentável, Mobilidade Urbana, Cidades Inteligentes e Verdes, Biogás, Gestão de Resíduos e 5G, entre outros", revela.

Com o tema mobilidade urbana, a abertura do evento contará com a participação do prefeito de Curitiba, Rafael Grecca (DEM), e do governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD). "Curitiba é um exemplo interessante de como funciona a parceria Brasil-Suécia. A adoção do BRT (Bus Rapid Transit), que foi desenvolvido em parceria com a empresa sueca de automóveis Volvo nos anos 1970, é hoje um exemplo mundial de sucesso, sendo replicado em capitais como Bogotá (Colômbia) e Jacarta (Indonésia)", explica a embaixadora. "O nosso interesse nesta cooperação é de longo prazo. Gostaríamos de realizar conjuntamente um Dia da Mobilidade em Curitiba no segundo trimestre de 2021, quando a pandemia terá, esperançosamente, diminuído", acrescenta.

No mesmo dia, começa a Semana de Inovação Aeroespacial, com a 6ª Reunião do Grupo de Alto Nível em Aeronáutica Brasil-Suécia. E nos dias 10, 11 e 12 acontecem, respectivamente, o 2º Seminário em Espaço Brasil-Suécia, o 9º Workshop em Aeronáutica Brasil-Suécia e o 1º Macthmaking Aeroespacial Brasil-Suécia.

Na quarta (11/11) têm início os Dias de Cocriação Suécia-Brasil, com webinar a respeito da pesquisa e da inovação voltadas ao desenvolvimento sustentável, que contará com a presença do ministro sueco das Empresas e da Inovação, Ibrahim Baylan, e o ministro da Ciência e Tecnologia do Brasil, Marcos Pontes. Na sequência, acontecerão painéis sobre a colaboração entre Suécia e Brasil em bioeconomia, cidades inteligentes, saúde e mineração. E, na semana seguinte, estão previstas três sessões acerca das tendências e soluções disponíveis para operações de mineração inteligentes, seguras e sustentáveis.

O evento Semanas da Inovação Suécia-Brasil foi construído na esfera de parceria estratégica e acordo bilateral assinado pelos dois países em 2009, em cooperação em áreas de ciência, alta tecnologia e inovação. Desde então, muitas outras áreas se desenvolveram.

Conheça a seguir mais informações sobre alguns dos setores prioritários para a cooperação entre os dois países:

Mineração
Assim como o Brasil, a Suécia possui longa história na mineração, e é conhecida como um grande fornecedor de tecnologias e serviços que ajudam a reduzir o impacto da atividade mineral no meio ambiente. No Brasil, o setor de mineração contribui com 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), chegando a 7% quando se inclui a indústria de transformação mineral. Na Suécia, o setor passou a ter destaque neste século, alcançando 0,85% do PIB em 2010.

De acordo com o Business Sweden, mineração já é o maior setor da indústria sueca no Brasil: 11 das 16 maiores empresas suecas atuando no país oferecem produtos e soluções na área. O setor também é alvo de uma nova iniciativa do Governo Sueco em Minas Gerais. Em fevereiro deste ano, como parte das atividades de reabertura do Consulado da Suécia em Belo Horizonte, foi lançada a Aliança Estratégica de Mineração Sueco-Brasileira, iniciativa que tem como principal objetivo ajudar as empresas mineiras de mineração a se tornarem mais sustentáveis e rentáveis.
Biotecnologia e mobilidade
Outro tema estratégico abordado será a bioeconomia, que pode ser definida como a produção de recursos biológicos renováveis e a conversão e fluxo deles em produtos de valor agregado, como alimentos e bioenergia. Os setores e indústrias que trabalham com a bioeconomia possuem forte potencial de inovação, a exemplo dos biocombustíveis.

A Suécia fez o compromisso de reduzir as emissões líquidas de gases do efeito estufa a zero até 2045. Além disso, o setor de transporte sueco terá de reduzir as emissões em 70% até 2030 em comparação com 2010. A despeito destas metas, a economia do país escandinavo cresceu 10% de 2010 a 2016, enquanto as emissões foram reduzidas em 10%. O Brasil começou a produzir biocombustíveis em 2014 e com a produção de etanol é um dos precursores da primeira geração de biocombustíveis avançados.

Ambos os países possuem uma produção de biomassa relevante na matriz energética, servindo de base para o desenvolvimento de biocombustíveis, que é uma área dentre muitas da bioeconomia nas quais há sinergias entre Brasil e Suécia.

Acordo assinado por representantes do governo da Suécia e do Swedfund (instituição financeira de desenvolvimento sueco) prevê investimentos da ordem de R$ 3 milhões para a geração de energia limpa. A ideia é subsidiar um estudo para a produção de biogás e biometano com foco em mobilidade urbana, seja por meio da agricultura (através de restos de cana de açúcar) ou do reaproveitamento de matéria orgânica proveniente de aterros sanitários e esgoto.
Cidades sustentáveis
O crescimento da população e a expansão das cidades leva a uma série de problemas de gestão e custos crescentes relacionados à manutenção de serviços e infraestrutura. Contudo, o uso inovador e inteligente da tecnologia em energia, meio-ambiente e transporte resulta no conceito de Cidades Inteligentes.

Uma das parcerias entre Suécia e Brasil está voltada à eliminação do desperdício. Para alcançar um patamar de reciclagem que chega a 99% de todo o lixo produzido no país, os suecos passaram a realizar a chamada gravimetria de resíduos sólidos, processo que permite verificar qual é o desperdício de comida. Essa mesma metodologia foi posta em prática em um experimento realizado conjuntamente por pesquisadores suecos e brasileiros em Taguatinga-DF e concluiu-se que nada menos que um terço dos alimentos não precisariam ter sido jogados fora.

Essa metodologia será utilizada novamente em um novo estudo que será realizado em 2021 nas feiras de rua de São Paulo. A ideia é que, de posse dos dados, os gestores possam implementar medidas que permitam ao país cumprir as metas do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares), que prevê, entre outras coisas, o fim de todos os lixões no Brasil até 2024.
Ciências da vida
Universidades como a USP e instituições de pesquisa tais quais a Fiocruz e o instituto sueco Karolinska guardam uma longa trajetória de cooperação em saúde. A ciência da vida é uma área que compreende disciplinas científicas que envolvem o estudo de organismos vivos (sejam plantas, animais ou humanos) e questões relacionadas à bioética. Embora a biologia seja o principal assunto deste campo, avanços tecnológicos na biologia molecular e na biotecnologia bem como a inovação aberta têm habilitado muitas especializações e novos campos interdisciplinares.

No caso sueco-brasileiro, o foco é em inovação com a participação de indústrias, institutos de pesquisa e universidades nos dois países em diferentes áreas como e-Saúde, telemedicina, inteligência artificial, prevenção de obesidade infantil e doenças tropicais.
 

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