Dia Mundial do Câncer e um alerta sobre tumores cerebrais

Em pesquisa divulgada em 2020, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) projetou o diagnóstico de 11.100 novos casos de tumores cerebrais/sistema nervoso central para cada ano do triênio 2020/2022. Um dado que traz, na oportunidade da celebração do 04 de fevereiro, Dia Mundial de Combate ao Câncer, um alerta sobre a necessidade de intensificar a divulgação de informações acerca da doença, suas manifestações e formas de tratamento.

 

Os tumores cerebrais estão entre a sexta e a oitava causa mais frequentes das lesões intracranianas nos adultos, e a segunda causa mais comum de doença neurológica crônica em crianças. “Eles são classificados como benignos ou malignos de acordo com suas apresentações e evoluções, que envolvem: densidade e forma, tempo com que se desenvolvem, se infiltram para outros órgãos e como se ampliam no órgão, e assim por diante”, esclarece o neurocirurgião funcional mestre pela UNIFESP, Dr. Claudio Corrêa.

 

Existem dezenas de tipos de tumores cerebrais, que são nomeados pelo perfil da célula da qual se desenvolvem. Neles distinguem-se os primários, cuja origem está no próprio cérebro, dos secundários, vindo de metástases - ou seja, tumores que migram de outros órgãos.

 

Em um breve panorama dos tumores cerebrais, os meningeomas primários são frequentemente benignos e representam 15% dos casos. Os gliomas, tumores do sistema nervoso central que surgem nas células do cérebro, são os mais frequentes e estão entre 25 a 30% dos casos. Destes, o glioblastoma (tumor maligno) corresponde à metade dos casos.

 

As causas do aparecimento de tumor cerebral não são conclusivas, mas podem estar atreladas a condições genéticas, traumas, uso excessivo de algumas classes de remédios e a exposição a certos tipos de substâncias químicas.

 

Sintomas dos tumores cerebrais

 

Dor de cabeça específica, não do tipo tensional ou enxaqueca, mais leve e que surge frequentemente ao acordar pela manhã, associada a episódios de vômitos em jato, tontura, convulsões, perda de coordenação motora, perda de visão e audição, perda de força em um lado do corpo e alteração da sensibilidade em partes do corpo, estão entre os sintomas gerados pelo tumor cerebral.

 

São ocorrências que se apresentam de acordo com as áreas do cérebro em que o tumor possa estar exercendo alguma ação.

 

Diagnóstico e tratamento dos tumores cerebrais

 

A partir dos sintomas já relatados, o médico especialista precisará de exames de imagem para a investigação das áreas do cérebro, procurando por massas. Os mais comuns são a ressonância magnética (RM), a neuronavegação e a biópsia cerebral pela técnica de estereotaxia.

 

Essas últimas, inclusive, já podem fazer parte do tratamento pois ajudam a guiar o neurocirurgião na localização, coleta de material, ressecção ou inserção de agente radioativo para a redução/eliminação do tumor.

 

A neuronavegação se utiliza de exames de imagens do paciente, como tomografia computadorizada ou a própria ressonância magnética, acoplados em softwares de computador que orientam o local exato por onde o médico poderá explorar e intervir. Dessa forma, evita-se lesões em áreas responsáveis por funções essenciais do paciente, como fala, movimento, cognição e afins.

 

“O sucesso do tratamento dependerá do tipo e localização do tumor, bem como da possibilidade de eliminá-lo por completo de forma segura, ou seja, sem a necessidade de interferência em estruturas que possam incapacitar o paciente em suas funções”, explica Dr. Cláudio Corrêa.

 

Nos quadros em que não é possível fazer a remoção total do tumor, ele poderá ser reduzido e ter a complementação do tratamento pelas medicações convencionais da oncologia. E mesmo na impossibilidade de cura, é viável ampliar a sobrevida e o bem-estar do paciente. 



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