A relação da mastigação com o ganho de peso

O nosso corpo atua tal como uma orquestra sinfônica e os órgãos são os instrumentos. Quando um instrumento desafina toda melodia fica comprometida.

 

Não é em vão que ouvimos muitas vezes a expressão “A Saúde começa pela boca” sendo usada por dentistas, médicos e nutricionistas. Porque de fato existe uma relação fortemente íntima da boca com a saúde do corpo como um todo. A Organização Mundial de Saúde define saúde como “estado de completo bem-estar físico, mental e social” e pode–se dizer que a saúde influencia na qualidade de vida.

O nosso corpo atua tal como uma orquestra sinfônica e os órgãos são os instrumentos. Quando um instrumento desafina toda melodia fica comprometida. Quando um órgão não funciona bem, todo corpo é afetado. Quando a mastigação não é eficiente, assunto foco desse artigo, dificulta o processo de emagrecimento, colabora para o aumento do peso e ainda o desequilíbrio das bactérias intestinais.

Um estudo feito por Li et al (2011) e publicado no The American Jornal of Clinical Nutrition comparou a mastigação entre 16 jovens magros e 14 obesos e examinou a relação dela na ingestão e concentração de hormônios intestinais. Os participantes da pesquisa fizeram uma refeição teste consistindo de 2200 kJ (68% da energia como carboidrato, 21% da energia como gordura e 11% da energia como proteína) foi consumida em 2 sessões diferentes (15 mastigações e 40 mastigações por mordida de 10 g de alimento) por cada sujeito para avaliar os efeitos da mastigação nas concentrações plasmáticas de hormônio intestinal.

E chegaram ao seguinte resultados: os participantes obesos mastigaram menos e ingeriram maior quantidade de comida em comparação com os jovens magros. Tanto obesos e magros ingeriram 11,9% menos após 40 mastigações do que após 15 mastigações. Comparado com 15 mastigações, 40 mastigações resultaram em menor ingestão de energia e concentração de grelina pós-prandial e maior concentração pós-prandial de peptídeo semelhante ao glucagon 1 e colecistocinina em indivíduos magros e obesos. O estudo concluiu que melhorar a atividade mastigatória pode ser uma ferramenta útil para o emagrecimento.

Isso ocorre porque a saciedade é influenciada por uma série de mecanismos de feedbacks que envolvem o nosso comportamento alimentar. Mesmo antes do alimento entrar na boca o apetite é estimulado pela grelina, que é produzida no estomago, sinalizada pelo hipotálamo. A grelina tem função de induzir a fome e estimular o apetite.

Falando de uma forma bem simples, quando você começa a mastigar uma mensagem é enviada ao cérebro que estomago e intestino vão receber alimento. Você começa a ingerir alimentos e em alguns minutos outros hormônios são liberados para avisar que está saciado. Ocorre que existe uma demora nessa comunicação, isso leva em torno de 20 a 30 minutos. Se você come rápido não dá tempo dessa sinalização acontecer e você certamente vai ingerir mais comida que seu corpo necessita.

Além de controlar a ingestão exagerada de comida a mastigação lenta e repetida fará com que os alimentos sejam bem triturados neste primeiro processo da digestão e tenha uma melhor absorção dos macronutrientes, vitaminas e minerais a nível intestinal.

Quando não mastigamos bem, ingerimos pedaços grandes de comida provocando uma sobrecarga no pâncreas e intestino gerando gases, mal estar e indigestão, estimula a proliferação de bactérias ruins, prejudica a mucosa intestinal, estimula uma disbiose intestinal.

 

A dica é saia do automático, perceba o que tem no prato, concentra-se na refeição, e desligue os aparelhos eletrônicos durante a refeição, largar o talher entre as mastigações e só leve outra porção de alimento a boca quando já engoliu a porção anterior totalmente triturada.

 

 

Carmem Camiran – Nutricionista Clínica Funcional e Comportamental

Instagram: nutricarmemcamiran

 

 



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