Quinta-feira, 02 de Abril de 2020
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ArtigosAliança x amizade

Postado 5 anos atrás Fonte: LOUREMBERGUE ALVES

Especulações e achismos movimentam o cenário político-eleitoral. Não apenas em ano de eleição. Existe até quem planta notícias, com o fim de abrir espaço a si próprio ou para outrem, e se colocar na condição de bola da vez em uma dada situação. Prática antiga e bastante útil. E é nesta esteira que aparecem supostos casamentos partidários. O mais recente deles é entre o PSB e o PSDB, no qual esta sigla ajudaria na reeleição do prefeito Mauro Mendes, enquanto aquela apoiaria os candidatos tucanos em vários municípios do estado. Vínculo aliancista que se estenderia até 2018, com a possível candidatura de Nilson Leitão para o Senado. Notícia, contudo, embaçada por outra, a saída do ex-deputado Riva da prisão, acompanhada de falatórios, parte dos quais longe da racionalidade. Isto já era esperado. Esperava-se, inclusive, que a soltura do ex-presidente da Assembleia Legislativa pautasse a imprensa. E foi exatamente o que ocorreu. Mas, a possível coligação PSB/PSDB não pode, nem deve ser ignorada. Especialmente em função de dois pontos. O primeiro deles, cabe lembrar, diz respeito à tática dos tucanos em se colocarem novamente como partido da linha de frente no Estado. Daí toda a busca por filiados, sobretudo com certa representatividade, e isso pode ser exemplificado com a adesão do Rui Prado e do convite ao governador Pedro Taques para também filiar-se a sigla tucana. Estratégia acertada. Bem mais quando se observa o papel da agremiação no jogo político-eleitoral da região, a partir dele ter perdido o poder de mando local e o falecimento de sua maior expressão política, Dante de Oliveira. O segundo ponto se refere à aliança propriamente dita. Esta, pelo que consta, não foi abraçada por todos os seus filiados. Pois existe sim um grupo de tucanos que defende candidatura própria à prefeitura de Cuiabá, em 2016. Além disso, vale realçar, a dita aliança extrapola os limites da Capital do Estado, e chega ao interior, especialmente nos municípios em que o PSDB pretende lançar candidatos. Esta aliança também é visualizada para 2018, com uma possível candidatura do Nilson Leitão para o Senado. Aqui tem o primeiro grande problema. Isto porque dentro da coligação que elegeu Pedro Taques ao governo existem pessoas de olho nas duas vagas de senador. Pretensão igualmente identificada no lado da oposição. O que seria natural, afinal o Blairo Maggi não irá querer abrir mão de sua recandidatura. O Blairo Maggi e o Mauro Mendes são amigos. Amizade que abortaria qualquer parceria para que o prefeito cuiabano venha apoiar outro nome que não seja o do ex-governador para o Senado. Soma-se a isso o fato de que o parlamentar tucano dificilmente possa obter todo o apoio do governador em uma disputa contra o atual senador, ainda que aquele tenha indicado apadrinhados para a administração pública estadual. Muito embora existam duas cadeiras de senador em disputa. Duas cadeiras, porém vários pretendentes. O que dificulta bastante à referida aliança, nos moldes que defende alguns tucanos.

 

LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e analista político em Cuiabá. lou.alves@uol.com.br

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