Quarta-feira, 03 de Junho de 2020
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ArtigosCidades sustentáveis

Postado 5 anos atrás Fonte: Wellington Fagundes

Uma constatação apresentada no âmbito da Comissão Senado do Futuro, trazida por Mariano Francisco Laplane, presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, alerta para que a sociedade busque um caminho que leve à construção de um ambiente mais sustentável, para sua sobrevivência. Senão vejamos: “Pela primeira vez, a população do planeta que mora em cidades ultrapassou a população das áreas rurais, inclusive na América Latina”. Preocupante! Em meados do século XX, mais precisamente no ano de 1950, a América Latina tinha 42% da população morando em cidades. Já em 2010, 80% dos indivíduos moravam em cidades na América Latina, ou seja, em pouco mais de 50 anos o dobro da população migrou para zona urbana. E a previsão é que até 2030, essa porcentagem continue aumentando até atingir 84%. De acordo com Laplane, haverá 49 cidades na América Latina com mais de 1 milhão de habitantes, contra apenas 7 em 1950. Destas 49 cidades, 16 estarão no Brasil. As cidades de 50 a 500 mil habitantes são as que apresentam, desde os anos 90, um crescimento mais acelerado. A realidade mostra concentrações com diversas formas de precariedades: há problemas na habitação, na segurança, na infraestrutura e também de degradação ambiental. Em outras palavras, há muitas mazelas para serem expurgadas, que ‘corroem’ as virtudes e as boas qualidades do nosso desenvolvimento como sociedade. A “cidade inclusiva”, de acordo com o estudioso em sua palestra, precisa começar a ser construída, sair de fato do papel e se tornar uma realidade no planejamento sustentável em todo o mundo. Quanto mais rápido esta realidade for implantada, melhores resultados obteremos tanto para a preservação do nosso meio ambiente, quanto para nossa qualidade de vida. É preciso, naturalmente, orientar o crescimento das cidades priorizando as qualidades de vida e de moradia; que este espaço deixe de ser confronto e privilegie a reconciliação entre o ser humano e a natureza, com distribuição equitativa, acesso viável aos serviços essenciais e “pegada ecológica” baixa. Que seja resistente, por exemplo, a desastres naturais e também – por que não? – econômicos. Laplane observa “estamos partindo de menos alguma coisa”. Isto é: o ponto de partida está abaixo de zero. Lastimavelmente! Ter cidades inseridas, de maneira sustentável nessas qualificações, onde os indivíduos e a comunidade possam prosperar, pode parecer utopia. Certamente esta é uma busca ambiciosa, mas plenamente desejável por todos. O presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação observou que algumas discussões sobre cidades sustentáveis têm se revelado dicotômicas. Não se pode negar, a relevância da agenda ambiental nesse contexto, mas esse conceito verde tem que estar atrelado também a chamada “agenda marrom”, que nos remete aos problemas de saneamento, de moradia, de áreas degradadas – ambiental, econômica e socialmente degradadas, que precisam ser recuperadas. Contudo, há ainda problemas gritantes associados à desigualdade de acesso a recursos para o desenvolvimento de ações que possibilitem a imediata melhoria das condições de vida urbana. Portanto, o desafio é conjugar essas duas pautas numa agenda positiva muito calcada no conceito de desenvolvimento sustentável, conforme já aprovado pelas Nações Unidas. Uma cidade ideal necessita além de conjugar a sustentabilidade ambiental, precisa englobar as pautas econômica e social, para seu perfeito desenvolvimento. Esse é o primeiro desafio. O segundo é mais complexo e que tratarei, com base nas discussões da Comissão do Senado do Futuro, em um novo artigo, na próxima semana. Até aqui, é preciso concordar: estamos no limite e precisamos construir a grande guinada para estabelecer um ambiente saudável no espaço em que vivemos.

 

Wellington Fagundes é senador da República por Mato Grosso e presidente da Comissão Senado do Futuro.

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