Quinta-feira, 09 de Julho de 2020
ENERGISA CORONA

ArtigosEstrela cadente

Postado 5 anos atrás Fonte: Gabriel Novis Neves

Ao assumir o ministério da Fazenda, Joaquim Levy surgiu como o novo mandarim da nossa economia. Tinha como tarefa principal fazer o Produto Interno Bruto (PIB) crescer já no segundo semestre. Para alcançar esse objetivo faria um ajuste fiscal. A otimista Presidente garantia que isso seria uma coisa passageira. O ministro, por sua vez, prometia metas realistas, essenciais para a atração de investimentos internos e externos. Passado alguns meses, o homem que veio para consertar as nossas contas, começou a enfrentar um processo de desidratação na credibilidade das suas propostas terapêuticas. Contrariado nos seus planos, resolve flexibilizar o ajuste fiscal no seu modelo original, mandando às favas o que há pouco havia prometido sobre como recuperar o superávit primário e a credibilidade junto aos homens de dinheiro. Começa então a cair a estrela do competente Ministro da Fazenda. A equipe econômica passa a ter comando duplo com a ascensão do Ministro do Planejamento. O ex-todo poderoso ministro Levy já não participa de todas as reuniões com os seus colegas ministros sobre o moribundo ajuste fiscal. Analistas diagnosticam o enfraquecimento de Levy pelo fato de ter concretizado seu ajuste em laboratório, ignorando a realidade concreta. Também subestimou o tamanho da crise econômica e a sua deterioração com a crise política. Sabemos ser impossível solucionar a crise econômica sem resolver a política. O técnico Ministro da Fazenda não avaliou corretamente as dificuldades para aprovar as suas propostas no Congresso. Quando não deveria, ficou surpreso ao constatar a queda vertical da arrecadação. O pior é que hoje a Presidente ouve mais o seu Ministro do Planejamento que o da Fazenda, de perfil iminentemente técnico. Levy depende de uma série de “se” para manter-se no cargo, o que é pouco provável. Como resultado, a recessão se alongará por mais tempo, provocando mais perda da receita da União. O desemprego e a inflação seguirão em alta e os juros em patamar estratosférico. Mais do que o Ministro da Fazenda, emagrece o país!

 

Gabriel Novis Neves é médico

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