Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020
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Postado 5 anos atrás Fonte: ONOFRE RIBEIRO

Na noite da última quinta-feira, assisti à abertura do “Seminário sobre o Desenvolvimento Econômico do Estado de Mato Grosso e seus reflexos no Sistema Judicial”, em Cuiabá, promovido em parceria do Sistema Federação da Agricultura e do Poder Judiciário. Esta é a terceira vez que ambos se encontram, e desta vez o seminário é mais abrangente e internacional. O leitor deve estar se perguntando onde isso o afeta. Em muito. O importante é que dois setores antes conflitantes estão sentando pra se falar. De um lado, o agronegócio que ainda não completou 30 anos em Mato Grosso, e de outro, o Poder Judiciário com suas leis e normas muito antigas, ou completamente descasadas da nova realidade econômica do Estado de Mato Grosso. Até o surgimento forte do agronegócio, a partir de 1994, o estado era um. Passados 21 anos, é outro diverso por completo. Logo, os conflitos já não são mais os mesmos e esbarram no Poder Judiciário pra que se decidam as questões. "Até o surgimento forte do agronegócio, a partir de 1994, o estado era um. Passados 21 anos, é outro diverso por completo. Logo, os conflitos já não são mais os mesmos e esbarram no Poder Judiciário pra que se decidam as questões." Ouvi alguns conceitos muito lúcidos a animadores. Do presidente do Tribunal de Justiça, Paulo da Cunha: “se numa guerra queimarem as lavouras no campo ou as cidades, teremos dois resultados. Se queimarem as cidades, a vida se reconstrói. Mas se queimaram as lavouras nada se reconstrói”. Do governador Pedro Taques, que “até agora nenhum produtor rural me pediu nada que contrarie a lei”. E o desembargador Márcio Vidal fez uma longa explanação a respeito do conhecimento nas sociedades modernas, resultando num ciclo civilizatório. Reconheceu que o agronegócio trabalha com o conhecimento e com a inovação. Ouvi também, que os processos tecnológicos utilizados na produção agropecuária, frequentemente são muito mais complexos e inovadores que a maioria dos processos urbanos, justamente de onde vem o preconceito e as críticas contra o sistema produtivo rural. Outro conceito digno de registro: “O Brasil é o único pais no mundo onde quem produz alimentos é criticado por quem só produz discurso”. Fumou-se ali o cachimbo da paz entre o sistema agropecuário e o Judiciário. Bom seria que se repetisse com dois outros segmentos reacionários à inovação, o Ministério Público com sua belingerância que beira a irresponsabilidade, e a educação, incluindo especialmente as universidades, distantes da realidade e acantonadas dentro dos seus currais de suposto conhecimento, alheio à realidade que existe fora dos seus domínios feudais.

 

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso. onofreribeiro@terra.com.br www.onofreribeiro.com.br

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