Quinta-feira, 13 de Agosto de 2020
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BrasilGlobo omite participações de Regina Duarte em propagandas da Globoplay

Postado 3 semanas atrás Fonte: Davi Gomes
Foto: G1

No fim do mês de Maio, a Rede Globo de televisão lançou uma campanha publicitária para destacar a reprise de novelas clássicas em sua plataforma de streaming digital, a Globoplay. O serviço permite que internautas acessem conteúdo sob demanda através de seus computadores ou smartphones. O catálogo de novelas contará com títulos aclamados pelos telespectadores, confira a lista inicial: 

 

  • A Favorita (2008)

  • Tieta (1989)

  • Explode Coração (1995)

  • Vale Tudo (1988)

  • Laços de Família (2000)

  • Estrela-Guia (2001)

  • Dancin´ Days (1978)

  • Pai Herói (1979)

  • Baila Comigo (1981)

  • Guerra dos Sexos (1983)

  • Vereda Tropical (1984)

  • A Gata Comeu (1985)

  • Roque Santeiro (1985)

 

O catálogo completo conta com 50 novelas já anunciadas. Muitas das produções estão passando por processo de remasterização para que as gravações antigas sejam reproduzidas com qualidade inédita, pronta para as telas de alta resolução atuais. 

 

Para aqueles interessados em acessar o serviço mas que estejam sofrendo com problemas de lentidão, ou que estão em território internacional, recomenda-se a leitura de um guia sobre VPN, recurso que facilita o acesso a plataformas de streaming em computadores e celulares. 

Polêmica

Para o choque de muitos usuários, no entanto, a peça publicitária que destacou as novelas omitiu cenas que envolvessem a atriz Regina Duarte. Na verdade, a única presença da atriz global em toda a campanha foi uma curta cena referente à novela Roque Santeiro, onde apenas sua mão é visível. A artista havia participado de 6 das novelas destacadas no vídeo, sendo personagem protagonista e marcante em três delas (Rainha da Sucata, Vale Tudo e História de Amor).

 

As relações entre a emissora e atriz tornaram-se problemáticas quando Regina aceitou o convite do atual presidente Jair Bolsonaro para tomar posse da Secretária da Cultura, cortando seus vínculos empregatícios com a empresa de televisão. A relação entre a atriz e o presidente já existia através de sua amizade com a primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Sua participação na secretaria encontrou-se cercada de críticas de telespectadores e companheiros de profissão após declarações polêmicas em uma entrevista à emissora CNN, onde Regina Duarte teria reduzido a importância das mortes por COVID-19 e defendido o período de Ditadura Militar (1964) gerando grande comoção e revolta nas redes sociais.

 

Sua participação no cargo não passou dos 3 meses graças às duras críticas recebidas, e na ocasião, a presidência da república facilitou sua transferência para o comando da Cinemateca Nacional. Porém, até mesmo essa empreitada teve curta duração, e Regina Duarte já se encontra desligada do cargo, apesar de ainda receber salário de cerca de R$ 15 mil reais mensais. Seu papel atual é incerto, porém, é provável que cargo com salário equivalente seja oferecido pelo Ministério do Turismo. 

 

No programa Conversa com Bial, exibido no dia 22 e com participação de Lima Duarte, Pedro Bial questionou a opinião do ator à respeito da participação de Regina Duarte no Governo, que afirmou: 

 

“Regina caiu quando entrou. Me lembrou a história da Chapéuzinho Vermelho. A Chapéuzinho perdida encontrou com o lobo, se abraçaram, vamos casar, não casou, vamos casar, casou. Eu estava esperando o resultado do casamento, e ele jantou ela”. 

 

Do ponto de vista jurídico, a emissora tem total controle dos direitos de imagem das novelas, e portanto, não há qualquer obrigação de destacar ou promover a participação da atriz, cuja atribuição ainda existe nos créditos de cada peça. 

Conclusão

Para muitos, a escolha da emissora sinalizou a eterna mancha na carreira da artista graças à seu envolvimento com a política nacional, em especial, por enaltecer um período histórico que oprimiu inclusive artistas de sua própria classe. Atualmente, a condição de Regina no Governo é incerta, e a Cinemateca Nacional está sendo desmontada e poderá ser integrada por outros departamentos. O poder Executivo encontra-se emaranhado em polêmicas ainda mais relevantes, por exemplo, a decisão de Bolsonaro de vetar verba para o combate ao novo coronavírus na quarta-feira (03/06), gerando reações de diversos parlamentares. 

 

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