Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019
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ArtigosNovo olhar sobre a micro e pequena empresa

Postado 2 semanas atrás Fonte: José Guilherme Barbosa Ribeiro

Neste Dia da Micro e Pequena Empresa, segmento cujos 14 milhões de empreendimentos representam 99% do total de empresas privadas no Brasil e empregam 55% dos trabalhadores com carteira assinada, sendo responsáveis por 27% do PIB, mais que destacar a força e a contribuição inegável dos pequenos negócios para o desenvolvimento econômico e social brasileiro, quero aproveitar para fazer uma provocação com vistas a despertar um outro olhar para o modelo de desenvolvimento do País.

 

Um desenvolvimento calcado em novos modelos de negócios, em uma economia mais conectada com o mundo moderno e desenvolvido, baseada não mais no formato linear da Revolução Industrial do século 18, em que as empresas extraem matéria-prima da natureza, transformam em produtos e geram resíduos ao longo do processo. Os consumidores, por sua vez, consomem e descartam, gerando mais resíduos.

 

Esse é um padrão que não se sustenta mais, nem economicamente, nem socialmente e tampouco ambientalmente. Já passamos da hora de rever nossa forma de produzir, de consumir, de fazer negócios, nem que seja para atender as exigências de consumo do mundo moderno, cada vez mais restritivo.

 

Recentemente, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) iniciou um trabalho de difusão e ampliação da adoção da economia circular, já muito aplicada na Europa, cuja premissa é juntar as pontas da cadeia de produção e consumo, trazendo benefícios para a sustentabilidade e gerando mais emprego e renda.

 

Embora no Brasil, o modelo de economia circular se apresenta como um conceito essencial para o desenvolvimento sustentável, imperativo para um melhor posicionamento dos produtos brasileiros no mercado nacional e internacional, uma oportunidade de nos destacarmos nesse mundo que passa por profundas e rápidas transformações.

 

É uma alternativa ao modelo tradicional, uma vez que usa menos recursos naturais e provoca menos desperdício, permitindo que as empresas possam reduzir seus custos, suas perdas e ainda gerem fontes alternativas de receita. Em suma, traz vantagens competitivas para o País.

 

Por suas características de localização geográfica, formação geológica e pelo fato de concentrar três biomas – Pantanal, Cerrado e Floresta Amazônica -, Mato Grosso tem todas as condições para implantar um modelo de desenvolvimento mais compatível com seus atributos e aptidões. 

 

Estamos numa posição privilegiada, no centro da América Latina, o que nos permite ter uma nova logística muito mais abrangente, eficiente e barata. O estado é rico em metais nobres e gemas preciosas e semipreciosas, no entanto, ainda os comercializa como commodity. Concentra uma biodiversidade pouco vista em outros pontos do mundo.

 

Fazer bom uso de todos esses recursos não é mais uma escolha, é a única possibilidade de um desenvolvimento real, inclusivo e duradouro. Para tanto precisamos, primeiramente tomar a decisão de adotar novos modelos de produção mais eficientes e econômicos, de pensar diferente, de avaliar as pegadas que estamos deixando no planeta; e também de uma ação articulada entre setor produtivo, governos e sociedade em geral.

 

Considerando que o papel do Sebrae é o de fomentar a competitividade e o desenvolvimento sustentável dos empreendimentos, oferecendo ferramentas necessárias e indicando o melhor caminho para o fortalecimento dos pequenos negócios, a economia circular se apresenta como uma alternativa que vai mudar a forma como os negócios são conduzidos e vai impactar positivamente setores inteiros e o mundo em que vivemos.

 

As MPEs têm que ser as protagonistas nesse novo modelo emergente no mundo, gerando novos negócios e empregos.

José Guilherme Barbosa Ribeiro é diretor-superintendente do Sebrae Mato Grosso

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