Sábado, 22 de Fevereiro de 2020
MALAI

ArtigosO pensar no plural

Postado 5 anos atrás Fonte: LOUREMBERGUE ALVES

Votar é importante. Não o ato em si. Mas, isto sim, as possibilidades criadas a partir da dita ação, que não se resume ao simples ato de acionar as teclas da urna eletrônica. Até por conta disso, ela, a ação, deveria ser fruto da reflexão, a qual é provocada - pelo menos em tese - do agir coletivo. O que realça a relevância da política, que é verdadeiramente dialógica. Condição que obriga a participação de todos, não de alguns poucos, mesmo se escolhidos para serem representantes. Estes têm satisfações a darem aos representados, cujas tarefas se ampliam, ainda que presas entre os campos da fiscalização e o da cobrança, e, em meio as duas, o da avaliação. Daí a necessidade de se saber o que o parlamentar ‘A‘, ou ‘B‘ ou ‘C‘ vem realizando. O deputado federal Fábio Garcia (PSB/MT), por exemplo, ingressou com um mandado de segurança no Superior Tribunal de Justiça, justamente para tentar anular a resolução 1.857 da Agência Nacional de Energia Elétrica. Iniciativa louvável, uma vez que a referida resolução acaba com o subsídio a CDE e, ao mesmo tempo, remete todas as despesas desse fundo para o consumidor. O objetivo do deputado mato-grossense é reduzir o aumento do custo da energia no Estado. Pois o referido índice de reajuste, aqui aplicado, passou a ser bem maior do registrado nas unidades do Nordeste. Nada justifica esse tratamento desigual. Ainda que Mato Grosso fosse - o que definitivamente não o é - um Estado desenvolvido. Afinal, desenvolver-se não é o mesmo que crescer, embora o crescimento ajude alcançar aquele, mas jamais ser colocado como se estivesse a dizer a mesma coisa. Situação que se repete no país por inteiro. Dominado pela crise. Uma crise que se prolonga em razão da falta de medida adequada para estancar a hemorragia que asfixia os brasileiros. Estes, então, se veem em apuros por conta dos aumentos, inclusive do da energia. Em boa hora, portanto, a tentativa do parlamentar-socialista em anular a resolução 1.857. Agiu, então, bastante diferente da vez anterior, quando solicitou a retirada da pauta na Câmara Federal do projeto que pretende fazer do Brasil sócio da maior organização astronômica do mundo, o ESO. O que prejudicaria sobremaneira a comunidade científica nacional. Este pedido foi de um amadorismo quase ingênuo. Bastante diferente de sua agora iniciativa, com vistas à diminuição do custo da energia elétrica. Esta, pelo seu turno, digna de todos os elogios, independentemente de suas razões particulares. Briga, contudo, pela metade. Pois o deputado Fabio Garcia deveria ter batido de frente com o seu próprio grupo. Optou-se, infelizmente, não fazer pressão sobre o governo estadual, que cobra o ICMS e o Cofins sobre a conta de luz. Valores que contribuem para que a conta de energia no Estado se torne a mais cara do país. A escolha de apenas um dos flancos ajuda a esconder parte das reais causas do alto custo da energia.

 

LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e articulista político em Cuiabá. lou.alves@uol.com.br

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