Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020
ENERGISA INTERNO

ArtigosOlhos azuis e a política – final

Postado 5 anos atrás Fonte: onofre ribeiro

Encerrando esta série de três artigos sobre a nova formação da política mato-grossense a partir da presença de migrantes vindos para o estado desde a década de 1970, na ocupação da Amazônia, um projeto estratégico do governo federal de então, cabem alguns registros. O primeiro é que a região Centro-Oeste experimentou uma ocupação que antes não havia, recebendo ondas de migrações vindas especialmente do Sul e do Sudeste.

Em 1980, data do primeiro censo, Mato Grosso registrou 1 milhão 139 mil habitantes que hoje se multiplicam nos atuais 3 milhões 200 mil habitantes. Seria natural que a migração se integrasse e produzisse gerações descendentes dos “bugres” e dos “olhos azuis”. Essa diferença de população entre 1980 e 2015, traz a massa de gente mato-grossense oriunda da miscigenação. Por isso, fica sem sentido se falar hoje em quem veio pro estado naquela época e quem já estava aqui. As famílias estão todas misturadas. A rigor, a nova cara da população já é de terceira geração e está mesmo integrada numa nova leitura sociológica sem retorno.

Dia desses conversei com uma gerente de banco, paranaense de nascimento e criada em cidade do interior de Mato Grosso e agora morando em Cuiabá. Ela admitiu que retornar à cidade de nascimento em férias, a deixa muito desconfortável porque mais nenhuma raiz a liga lá. Portanto, era de se esperar que essa inevitável integração criasse novas culturas humanas, econômicas, sociológicas e comportamentais. Por fim, a política, quando isolada nesse contexto, diz de cara que também mudou. O fato do governador Pedro Taques ser mato-grossense tradicional não lhe permitiu construir sua candidatura, eleger-se e ter financiamentos financeiros de campanha longe do agronegócio, predominantemente construído por gente que veio do Sul ao longo desses 42 anos depois da ocupação da Amazônia. Cada vez mais a cara de Mato Grosso, em todos os aspectos, vai se distanciar tanto dos “bugres” quanto dos “olhos azuis”, em favor de uma síntese humana que gera quase uma nova civilização neste espaço aberto que encontraram no estado. A política, então, será construída dentro dessa nova onda de “bugres dos olhos azuis”.

 

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso. onofreribeiro@terra.com.br www.onofreribeiro.com.br

Comentários

Os comentários não representam a opnião do jornal; a responsabilidade é do autor da menasgem.