Após recuo em “Carta à Nação”, popularidade de Bolsonaro despenca nas redes sociais

A divulgação da “Carta à Nação”, recuo de Jair Bolsonaro (sem partido) após o 7 de setembro, fez a popularidade do presidente da República despencar nas redes sociais. É o que mostra um levantamento feito pela consultoria Quaest, divulgado pela Folha de S. Paulo.

A pesquisa mede o Índice de Popularidade Digital de Bolsonaro. Em 7 de setembro, quando houve manifestações a favor do presidente e um discurso inflamado, Jair Bolsonaro chegou ao índice de 81,8 pontos, um dos maiores de 2021.

No dia 8, o índice caiu para 62,4 pontos e, na quinta (9), dia de divulgação da “Carta à Nação”, diminuiu para 53,7. No dia seguinte, sexta-feira (10), Bolsonaro teve o pior número em todo o ano de 2021: 37,1 pontos.

Felipe Nunes, cientista político, professor da UFMG e diretor da Quaest, explicou que Bolsonaro criou uma expectativa na população, mas, depois, voltou atrás. “Os atos do dia 7 trazem uma criação de expectativa. Bolsonaro foi capaz de fazer algo que quase ninguém hoje consegue, que é gerar expectativa. O processo de mobilização coordenada para os atos foi todo positivo para o presidente. O problema é que depois a euforia se transformou em frustração”, disse à Folha de S. Paulo.

Nunes afirmou que a movimentação de Bolsonaro desagrados os dois olhos: opositores e base.

O IDP, medido pela Quaest, avalia o desempenho de figuras da polícia nacional nas plataformas Facebook, Instagram, Twitter, YouTube, Wikipedia e Google. A performance é medida em uma escala de 0 a 100, em que o maior valor representa o máximo de popularidade.

O que disse Bolsonaro no 7 de setembro

O presidente Jair Bolsonaro discursou na Avenida Paulista na tarde da ultima terça-feira (7). O principal alvo foi o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. "Ou esse ministro se enquadra, ou ele pede pra sair", disse Bolsonaro. "A paciência do povo já se esgotou."

Bolsonaro, eleito diversas vezes por meio das urnas eletrônicas, voltou a criticar o sistema de votação utilizado no país e também atacou o ministro Luís Roberto Barroso. "Nós acreditamos e queremos a democracia. A alma da democracia é voto. Não podemos admitir um sistema eleitoral que não traz qualquer segurança. E dizer que não é uma pessoa no TSE que vai nos dizer que esse processo é confiável e seguro."

"Não podemos admitir um ministro do TSE também, usando sua caneta, desmonetizar páginas que criticam esse sistema de votação. Queremos eleições limpas com voto auditável e contagem pública dos votos. Não podemos ter eleições que pairem dúvidas sobre os eleitores", pediu. Bolsonaro enviu à Câmara dos Deputados uma PEC para instaurar o voto impresso, mas a medida não passou.

"Não vamos aceitar que pessoas como Alexandre de Moraes continua a açoitar a nossa democracia e desrespeitar a nossa constituição", disse o presidente. Ele reclamou da determinação de Moraes de mandar prender Jason Miller, ex-assessor de Trump, ouvido no inquérito dos atos antidemocráticos. "Saia Alexandre de Moraes, deixa de ser canalha. Deixe de oprimir o povo brasileiro e censurar os seus adversários."

As manifestações em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em São Paulo, que trouxeram pautas anti-democráticas, como ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), atraíram 125 mil pessoas para a Avenida Paulista, segundo estimou a Secretaria de Segurança de São Paulo.

Recuo na “Carta à Nação”

Dois dias depois, o presidente Jair Bolsonaro recurou e, em nota oficial, pregou a harmonia entre os poderes da República.

Dois dias depois de dizer que não respeitaria mais as ordens dadas por Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro afirmou que nunca teve intenção de agredir outros poderes. Agora, o presidente atribuiu os ataques ao "calor do momento".

"A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar", declarou.

Bolsonaro comentou especificamente a questão de Moraes e disse que entende que os conflitos são resultado das decisões do ministro tomadas no âmbito do inquérito das fake news. "Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de 'esticar a corda', a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum."

Michel Temer, ex-presidente, admitiu no dia seguinte que chegou para um almoço com Bolsonaro com a carta praticamente pronta. O presidente fez poucas alterações.

Leia a nota na íntegra:

No instante em que o país se encontra dividido entre instituições é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer:

1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar.

2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news.

3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia.

4. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum.

5. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes.

6. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal.

7. Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país.

8. Democracia é isso: Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição.

9. Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles.

10. Finalmente, quero registrar e agradecer o extraordinário apoio do povo brasileiro, com quem alinho meus princípios e valores, e conduzo os destinos do nosso Brasil.

 

FOTO: MÍDIA HOJE



ENQUETE

Você pretende se vacinar?
PARCIAL