Jato da J&F Ignora Alerta Aéreo dos EUA e Faz
Um jato executivo de propriedade da J&F Investimentos, holding que controla o gigante frigorífico JBS, realizou um pouso e decolagem rápidos em Caracas, capital da Venezuela, no último domingo (23 de novembro de 2025), em um movimento que gerou suspeitas e questionamentos no meio político e corporativo brasileiro. A viagem ocorreu em um momento de alta tensão, dois dias após as autoridades de aviação civil dos Estados Unidos (FAA) emitirem um alerta de segurança grave para o espaço aéreo venezuelano.
O aviso da FAA, emitido na sexta-feira (21 de novembro), recomendava "extrema cautela" aos pilotos e companhias aéreas devido ao "agravamento da situação de segurança e aumento da atividade militar" na região, citando riscos potenciais a aeronaves em todas as altitudes. Em resposta a esse alerta e a declarações mais duras do então presidente Donald Trump, diversas companhias aéreas internacionais, incluindo a portuguesa TAP e a brasileira Gol, suspenderam imediatamente seus voos comerciais para o país governado por Nicolás Maduro.
O Voo Suspeito
Dados de rastreamento de voos, amplamente divulgados pela imprensa brasileira, mostram que a aeronave, um jato particular, pousou no Aeroporto Internacional de Maiquetía, que serve Caracas, às 5h14 da manhã de domingo. O avião permaneceu no solo venezuelano por várias horas, partindo de volta para o Brasil na manhã de segunda-feira (24 de novembro).
A ação da J&F de prosseguir com a viagem, ignorando as recomendações de segurança que paralisaram o tráfego aéreo comercial, levantou imediatamente uma série de suspeitas sobre a natureza e a urgência da missão.
As Suspeitas e o Silêncio da Empresa
A principal dúvida que paira é o que motivou uma viagem tão arriscada a um país sob forte pressão internacional e sanções dos EUA, em um momento em que a aviação civil considerava o espaço aéreo inseguro.
Especulações na mídia e redes sociais apontam para possíveis encontros confidenciais ou a movimentação de pessoas ou documentos importantes, longe dos olhos das autoridades americanas. Com os irmãos Joesley e Wesley Batista já envolvidos em escândalos de corrupção e delações premiadas no Brasil, qualquer movimentação atípica da holding em um país com o regime de Nicolás Maduro atrai atenção redobrada.
Até o momento, a JBS/J&F não forneceu explicações detalhadas sobre a finalidade do voo, aumentando o mistério e alimentando o debate sobre os verdadeiros propósitos da visita em meio à crise diplomática e de segurança.
Contexto de Tensão
A Venezuela, por sua vez, reagiu aos cancelamentos de voos revogando os direitos de operação de pelo menos seis companhias aéreas internacionais, em mais um capítulo da escalada de tensões com os EUA e seus aliados regionais. O episódio do jato da J&F adiciona um elemento corporativo e financeiro a uma crise que, até então, era predominantemente política e militar.






