Lista de investigação da Receita Federal aponta Jayme Campos e Adriano Pivetta

A Revista Veja publicou uma reportagem nesta sexta-feira (13) sobre uma lista de autoridades que foram de investigação da Receita Federal nos últimos cinco anos. Da lista com 173 pessoas, há pelo menos dois políticos de Mato Grosso: o senador Jayme Campos (DEM) e o ex-prefeito de Nova Mutum, Adriano Pivetta (PDT).

A Veja publicou dois fac-símiles de trechos dos documentos sigilosos da Receita, e como não foi divulgada a lista completa, pode haver outros nomes mato-grossenses. Ao todo, há 49 parlamentares do Congresso Nacional, sendo 11 senadores e 38 deputados federais.

Jayme começou a ser investigado em 2018, na mesma época de sua disputa para o Senado. Ele é o 5º nome na lista de autoridades elaborada pela Receita com o apoio de relatórios de inteligência produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão federal que monitora movimentações financeiras suspeitas para auxiliar na apuração de casos de sonegação fiscal, corrupção e lavagem de dinheiro.

Na época da candidatura para o Senado, segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Jayme declarou ter um patrimônio total de R$ 35.284.444,05.

Adriano Pivetta aparece em uma segunda lista com 211 fiscalizações abertas contra autoridades nos últimos cinco anos. Não há menção se ele também foi alvo de relatório produzido pelo Coaf.

Pivetta foi prefeito de Nova Mutum por dois mandatos, e encerrou o último em dezembro do ano passado. Em 2016, ele declarou possuir bens que somavam R$ 27.082.256,68

Quando foi eleito pela primeira vez, seus patrimônios somavam R$ 16.724.463,91. Na lista, ele é o 116º nome, e o procedimento fiscal foi aberto em 2015.

Segundo a Veja, a Receita não comenta a situação fiscal de nenhum dos contribuintes, mas especialistas explicam que investigações dessa natureza quase sempre perseguem indícios de evolução patrimonial combinada com movimentações bancárias suspeitas.

A Veja ressaltou ainda que nem todas as investigações contêm necessariamente irregularidades, chegando a citar como exemplo um processo aberto há três anos contra o ministro mato-grossense Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua família. No final, restou comprovado que havia um viés político na investigação.

“Mas é fato que a prática existe, trazendo enormes prejuízos para os cofres públicos. No total, calcula-se que o Brasil perca por ano cerca de 400 bilhões de reais de arrecadação federal apenas por sonegação — o equivalente a 27% de tudo o que a Receita recolhe em tributos”, diz trecho da matéria.

 

 

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