Aprá vai relatar perseguição na Câmara dos Deputados
O jornalista Alexandre Aprá, que teve de fugir de Mato Grosso por medo de morrer, foi chamado para contar sobre a perseguição de que vem sendo alvo, supostamente financiada pelo governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), e sua esposa, a primeira-dama Virgínia Mendes, na Câmara dos Deputados.
Neste início de semana, o assunto foi trazido à tona na Comissão de Segurança e Combate ao Crime Organizado do parlamento nacional pelo deputado mineiro, Subtenente Gonzaga (PDT), que representa o estado onde o jornalista já atuou profissionalmente.
Em um requerimento, já aprovado nesta terça-feira (21), abrindo espaço para a presença de Aprá, Gonzaga pontua que a motivação para a perseguição sofrida pelo jornalista seria seu próprio trabalho, já que vinha conduzindo uma série de publicações com indícios de irregularidades em gastos milionários do Governo do Estado com mídia.
“Imperioso salientar que, o Jornalista Aprá investigava contratos suspeitos do governo com agências de publicidade, ou seja, matérias jornalisticas que demostravam publicamente gastos excessivos com comunicação e gastos que não estavam sendo divulgados com a devida transparência”, detalhou o parlamentar.
MAURO, VIRGÍNIA E ZIAD - Além de Mauro e Virgínia, citados como possíveis contratantes ocultos de Ivancury Barbosa, o detetive que já foi acusado de pistolagem, o requerimento ainda cita a participação de Ziad Fares, empresário da ZF Comunicação, que presta serviços ao Executivo Estadual exatamente no setor denunciado por Aprá.
“O detetive se apresentou e falou que a ideia era pegá-lo num flagrante com traficantes de drogas ou com adolescentes em um motel. No meio do encontro, o detetive disse que estava gravando a conversa. Mas não sabia que também estava sendo gravado. E logo em seguida mencionou que estava a serviço da primeira-dama…”, cita o requerimento, aportado em áudios coletados por um infiltrado de Aprá junto ao detetive.
MOTIVAÇÃO POLÍTICA - O parlamentar ainda faz menção ao crime contra o jornalista, citando o que chamou de “ataques de censura” com “motivação política”, em virtude da possível ligação de Mauro Mendes, a esposa, o empresário e o espião contratado. A data da ida de Aprá até à Comissão ainda não foi definida.
O MINUTO MT vem acompanhando o desenrolar do caso e já trouxe ao ar um vídeo de Ivancury instalando um rastreador no carro do jornalista. O detetive então foi obrigado a assumir que fora contratado e que tinha Aprá no alvo, mas nega que Virgínia, Mauro ou Ziad estejam ligados nisso.
Um vídeo mais recente, todavia, mostra Ivancury adentrando ao prédio da ZF e pelo vidro se encontrando com muita intimidade com Ziad. Outros materiais de vídeo e áudio, inclusive com a divulgação de um contrato, reforçam para a ligação do empresário com o espião, que em certo momento cita que “trabalha para a primeira-dama de Mato Grosso”.
O caso já ganhou as páginas do Estadão, UOL, Isto É, Folha de SP, Yahoo, dentre outras publicações feitas pela Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ e a Associação Brasileira dos Jornalistas Investigativos – ABRAJI, ambas pedindo celeridade nas investigações.
OUTRO LADO - Aos veículos nacionais de comunicação, já que no Estado o assunto tem tido pouca repercussão, Ziad negou envolvimento. Ele afirma que a “acusação do jornalista (Aprá) é absurda, de cunho político e com objetivo de prejudicar a minha imagem e os meus negócios”.
O governador e a esposa também negam participação na contratação do detetive e afirmam, por meio de nota, que processarão o jornalista por “calúnia”.
FOTO: REPRODUÇÃO








