Chega de abaixar a cabeça, diz presidente do TJ

Em entrevista a Rádio Capital, ontem, a presidente do  Tribunal de Justiça,  desembargadora Maria Helena Póvoas, disse que ela faz parte do grupo que não concorda que o judiciário deva abaixar a cabeça.

Ela acredita que  o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pode voltar a atacar o Supremo Tribunal Federal (STF), em sua campanha eleitoral em 2022. 


"Eu acredito que ele[Bolsonaro] volte a atacar o STF, e daqui a pouco pode surgir um novo embate. Não sou daquele time que acha que o judiciário tem que abaixar a cabeça, este tempo já passou. Sempre reforço aos meus colegas que temos a obrigação de estabelecer uma ponte com a sociedade, e esta ponte só será feita através de conversas abertas com a população. Ou seja, cada vez que o presidente desferir um ataque, o judiciário deve uma explicação para a sociedade”, afirma a desembargadora.

Segundo Póvoas, o tempo do judiciário abaixar a cabeça já passou e de engolir uma série de coisas calado também.

Reforçando que o dever do judiciário é estabelecer uma ponte entre ele e a sociedade.

De acordo com Maria Helena, as críticas de Bolsonaro à urna eletrônica não são legítimas, pois é impossível fraudar o equipamento - que não é conectado com a internet.

A desembargadora ainda questionou, porque o presidente só levantou suspeitas após ser eleito. E porque não teria feito isto há 26 anos, quando se elegeu deputado federal pela primeira vez, inclusive, através da própria urna eletrônica.

“Como o mandatário maior da nação vem discutir hoje a legitimidade da urna eletrônica? Porque ele não discutiu há três anos quando a urna eletrônica o consagrou presidente, ou há 26 anos como deputado? Trabalhei no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso e posso garantir que não há a menor possibilidade de fraude na urna eletrônica. Pois ela não é conectada à internet. Então, como o presidente pode pregar esse tipo de coisa?”, ainda questionou. 

 

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