Vereador ensina a atirar em curso para magistrados

 

 

Em 2019, o agora vereador por Cuiabá, tenente Marcos Paccola (Republicanos), ministrou um curso a magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Na ocasião, entre ensinamentos práticos e teóricos, ele afirmava que não existe o ato "verbalizar", durante uma situação de risco. Segundo ele, quem ensina o contrário, certamente estará te levando a morte.

"Esse conceito de que eu tenho que verbalizar não existe. Não existe. A hora que vocês decidirem pegar uma arma de fogo na mão, esqueçam a verbalização. Quem falar isso para vocês, estará levando vocês para óbito", disse ele.

Vídeos da época mostram que Paccola realiza uma simulação de conflito. "Se eu estou em uma situação, e ele está de costas [e] esse elemento está armado, ou você não saca, ou se você sacar [a arma] atira até o alvo cair. 'Mas quantos tiros eu dou', até cair. 'E se acabar o carregador', troca e atira até cair", declarou ele.

O curso foi realizado entre os dias 24 e 26 de junho de 2019, pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis).

O vídeo foi resgatado após o Paccola atirar e matar um agente do Sistema Socioeducativo, Alexandre Miyagawa, de 41 anos, na última sexta-feira (1), no bairro Duque de Caxias, em Cuiabá.

O CASO - Alexandre estava acompanhado da namorada Janaina Sá, na última sexta-feira (1), em uma distribuidora de bedidas, após invadirem a contramão da via. Janaina teria se apressado para ir ao banheiro e acabou colidindo com um veículo que estava no local.

Diante disto, acabou gerando uma breve discussão na distribuidora. O Vereador por Cuiabá Marcos Paccola (Republicanos), teria ouvido que um homem estaria com uma arma em punhos e se deslocou até a confusão.

Neste momento, Alexandre e Janaina já estavam de saída, quando Paccola realizou três disparos pelas costas do agente.

O homem morreu ainda no local. Paccola alega que agiu por "legítima defesa de terceiros". O caso acabou ganhando repercussão e pressão de partidos políticos, para que o vereador fosse afastado imediatamente.

Porém, a Câmara Municipal aguarda as conclusões técnicas da perícia para tomar qualquer decisão.

 

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