Barranco manda indiretas aos colegas que defende a legalização
Em meio ao furacão sobre a discussão da descriminalização do aborto do Brasil, que logo estará em votação pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o deputado estadual Valdir Barranco (PT) mandou uma indireta para políticos nacionais e estaduais.
O petista alegou que não entende a hipocrisia entre alguns parlamentares, já que é de praxe, parlamentares pularem a cerca e mandarem abortar.
O deputado explicou que pessoalmente é contrário ao tema, já que cresceu na formação católica e defende a vida. Porém, afirmou que no Brasil há uma dupla interpretação sobre o tema, inclusive pelo judiciário, entre o aborto para ricos e para pobres.
“Eu sou formado dentro da igreja católica, sou pai, sou marido e jamais faria isso [aborto]. Cabe o Supremo interpretar, o que acontece no Brasil, infelizmente, é que há regra de aborto para rico e para pobre. Os ricos, os políticos, muitos deles da alta sociedade, quando eles dão uma escapadinha e fazem um filho fora do casamento, eles levam lá e mandam abortar nas clínicas especializadas, a gente sabe que tem isso. E os pobres, quando isso acontece, são criminalizados, inclusive pelo próprio Poder Judiciário até no que a lei possibilita”, contou o deputado.
Barranco ainda disse que não enxerga um “ativismo social” dentro do STF, e que todos os ministros que lá estão são capacitados e aptos para tomarem as decisões e acredita que até o final do ano, a corte chegará a um entendimento.
“Em casos de estupros, também acompanhamos o judiciário se posicionar contra. Temos que entender que lá no STF não tem inexperientes, todos possuem um entendimento muito grande. Portanto, é só verificar o que cada um já produziu no campo do Direito. Lá são onze, se algum quiser fazer ativismo terá que entrar outros dez”, finaliza Barranco.
A votação da descriminalização do aborto voltou em pauta na última semana, quando a ministra Rosa Weber, presidente do Supremo Tribunal Federal, votou a favor da descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. A análise do caso acabou suspensa após um pedido de destaque do ministro Luís Roberto Barroso. Pelo regimento do STF, o pedido de destaque faz com que a discussão deixe de ser feita no plenário virtual e tenha ser feita presencialmente. Com isso, não há data para que o tema retorne à pauta do tribunal.
FOTO: ALMT