Disputa por vice na chapa de Pivetta antecipa embate político com foco em 2030.

A eleição ao Governo de Mato Grosso em 2026 já movimenta o cenário político estadual com articulações que vão além do pleito imediato. A disputa pelo cargo de vice-governador, que tradicionalmente costuma ser definida apenas nas etapas finais da formação de uma chapa majoritária, foi antecipada e expõe um embate direto entre o governador Mauro Mendes (União) e o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL).

Dois nomes estão colocados nos bastidores como potenciais vices na chapa de Otaviano Pivetta (sem partido), atual vice-governador e pré-candidato ao governo estadual: o deputado federal e secretário da Casa Civil, Fábio Garcia (União), e a vereadora por Cuiabá, Samantha Iris (PL), esposa de Abílio.

A antecipação da disputa está diretamente ligada ao jogo político de 2030. Caso seja eleito governador em 2026, Pivetta não poderá disputar a reeleição. Com isso, o vice que compuser sua chapa se torna um nome naturalmente competitivo para a sucessão, o que aumenta o interesse estratégico sobre a vaga.

O governador Mauro Mendes trabalha para emplacar Fábio Garcia, aliado próximo e nome de confiança, como vice. A indicação é vista como uma forma de manter influência direta no governo, caso Pivetta seja eleito. Fábio é bem visto pelo núcleo político mais próximo de Mendes, incluindo a primeira-dama Virginia Mendes, e é tratado como "o nome da casa".

Já o prefeito Abílio Brunini tem se movimentado intensamente para fortalecer seu espaço dentro da base governista. Em uma estratégia de desgaste, tem atuado publicamente e nos bastidores contra a possível candidatura ao governo do senador Wellington Fagundes (PL), seu correligionário, e deixa claro seu apoio irrestrito a Pivetta. Em troca, tenta viabilizar a candidatura de sua esposa, Samantha, como vice — o que significaria uma vitória dupla para o casal e uma projeção política relevante no campo da direita bolsonarista.

Enquanto isso, a oposição ainda não apresentou nomes consolidados para a disputa ao Palácio Paiaguás em 2026, e tampouco iniciou discussões sobre composição de chapa majoritária. O vácuo oposicionista contrasta com a intensidade da disputa interna no grupo governista.

A definição do vice de Pivetta será um dos primeiros grandes testes da força política entre Mendes e Abílio, além de um termômetro para o alinhamento das principais lideranças da base.

Resta saber qual indicação terá mais peso dentro da coalizão e, principalmente, como o eleitorado reagirá a uma escolha claramente vinculada a projetos pessoais e familiares de poder. 



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