Alagoas 2026: Marina JHC emerge como ameaça real e pode deixar Renan ou Lira fora do Senado
Com raízes fincadas na tradição política de Mato Grosso e alianças estratégicas com clãs históricos como os Campos, a primeira-dama de Maceió desponta nas pesquisas e balança o cenário político alagoano.
MACEIÓ – O tabuleiro político de Alagoas para 2026 começa a desenhar um cenário que até pouco tempo parecia improvável: a possibilidade de um dos dois "pesos-pesados" do estado, o senador Renan Calheiros (MDB) ou o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), ficar sem uma das duas vagas em disputa para o Senado Federal. O fator de desequilíbrio atende pelo nome de Marina JHC (Marina Cândia Figueiredo).
A primeira-dama de Maceió, que recentemente oficializou a mudança de sua marca pública para reforçar o vínculo com o marido, o prefeito JHC, já aparece liderando ou figurando em posições competitivas em institutos como Alfa Inteligência (onde chegou a liderar) e Paraná Pesquisas.
DNA Político e Raízes Matogrossenses
Embora tenha conquistado o título de cidadã alagoana, a força de Marina JHC também é explicada por sua árvore genealógica. Natural de Cuiabá, ela carrega o DNA da política tradicional do Centro-Oeste. Marina é neta de José Monteiro de Figueiredo, o "Doutor Zelito", que foi vice-governador de Mato Grosso entre 1971 e 1975 e uma figura central na pecuária e política daquela região.
Essa linhagem não é apenas histórica, mas se mantém ativa por meio de laços familiares e alianças de peso. A rede de influência de Marina se estende ao poderoso clã Campos em Mato Grosso. Sua irmã é casada com Júlio Flávio Campos de Miranda, que pertence à família dos ex-governadores e atuais caciques políticos Júlio e Jaime Campos. Essa conexão conecta o projeto político de JHC em Alagoas a um dos grupos mais influentes do agronegócio e da política nacional.
O Risco para os "Coronéis"
A ascensão de Marina representa um risco direto para a hegemonia de Renan Calheiros e Arthur Lira por três motivos principais:
Transferência de Votos: Marina capitaliza a alta aprovação de JHC na capital, o maior colégio eleitoral do estado.
Renovação Feminina: Em um estado dominado por figuras masculinas tradicionais, ela surge como um nome novo, focada em pautas de empreendedorismo feminino.
Interiorização: Desde o final de 2025, Marina intensificou visitas ao interior, saindo da "bolha" de Maceió para enfrentar os grupos adversários em seus próprios redutos.
Se a tendência das pesquisas se confirmar, 2026 poderá marcar uma quebra de paradigma em Alagoas, onde a "força pantaneira" de Marina JHC pode forçar a aposentadoria ou a busca por planos B para nomes que há décadas dominam a política local.








