O Paradoxo de Moscou: O Invasor de Nações que agora clama por Soberania e Diálogo
MOSCOU – Em uma reviravolta retórica que gerou reações imediatas em capitais ocidentais, o governo de Vladimir Putin posicionou-se neste sábado (3 de janeiro de 2026) como o principal defensor da "autodeterminação dos povos". Ao condenar a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, o Kremlin, que mantém uma guerra de agressão em solo ucraniano há quase quatro anos, exigiu o fim imediato das hostilidades e o retorno à diplomacia.
"Agressão Armada"
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia classificou a operação americana — que culminou na queda do regime de Nicolás Maduro — como um "ato de agressão armada flagrante". Moscou apelou à comunidade internacional para que force Washington a respeitar o direito internacional, argumentando que "nenhum Estado tem o direito de remover governos estrangeiros pela força".
O Peso da Contradição
A ironia da declaração russa não passou despercebida. Diplomatas europeus e americanos rapidamente apontaram a "hipocrisia sistêmica" de Putin. Enquanto o Kremlin exige "diálogo interno" para a Venezuela, continua a ocupar territórios na Ucrânia e a ignorar resoluções da ONU que pedem a retirada de suas próprias tropas.
"Ouvir a Rússia falar em soberania nacional é como ouvir um incendiário dar aulas de prevenção de incêndios", afirmou um alto oficial da OTAN em Bruxelas.
Aliança Estratégica e Perdas Econômicas
Para além da retórica, a reação russa é motivada por interesses pragmáticos. Nos últimos anos, a Venezuela consolidou-se como o principal posto avançado da Rússia na América Latina. Moscou investiu bilhões de dólares no setor petrolífero venezuelano e utilizou o país como peça de xadrez para desafiar a influência dos EUA no Hemisfério Ocidental.
Com a possível instalação de um governo de transição pró-Ocidente em Caracas, a Rússia enfrenta:
Perda de bilhões em empréstimos: Muitos dos quais garantidos por ativos petrolíferos.
Recuo Militar: O fim do acesso logístico a portos e aeroportos estratégicos na região.
Isolamento Diplomático: A perda de seu aliado mais vocal nas Nações Unidas.
Próximos Passos
A Rússia solicitou uma reunião de emergência no Conselho de Segurança da ONU, onde deve tentar aprovar uma resolução condenando a intervenção. No entanto, sem o apoio da maioria e enfrentando o poder de veto dos EUA, a manobra é vista mais como um teatro político para consumo interno e para manter sua imagem perante o "Sul Global".
Enquanto isso, a retirada de famílias de diplomatas russos de Caracas sinaliza que, apesar dos gritos por diálogo, o Kremlin já se prepara para um cenário onde sua influência na Venezuela pode ter chegado ao fim definitivo.






