Venezuela: Entre o Rótulo de Narcoestado e a Intervenção Militar

Em 2026, a Venezuela enfrenta sua crise mais aguda com a ofensiva militar liderada pelos Estados Unidos. O argumento central de Washington para os ataques e para a suposta captura de Nicolás Maduro é o combate ao narcotráfico, classificando o regime como um narcoestado.
A tese do Narcoestado: Relatórios do Congresso americano e setores da inteligência defendem que o governo venezuelano utiliza a máquina estatal para facilitar o tráfico de drogas, servindo como base para criminalidade internacional e lavagem de dinheiro.
A Controvérsia Internacional: Por outro lado, relatórios da ONU e da União Europeia em 2025 contradizem essa visão, afirmando que a Venezuela não é a rota central do narcotráfico para os EUA (com 84% da cocaína vindo da Colômbia e 74% via Pacífico). Especialistas sugerem que o rótulo é usado como ferramenta geopolítica para justificar a intervenção.

O Risco no Brasil: A Infiltração das Facções
No Brasil, o debate sobre se tornar um "narcoestado" ganhou força no final de 2025 e início de 2026. Embora especialistas diferenciem a situação brasileira da de países como México ou Venezuela, o alerta de promotores e da ABIN é real.
Poder Econômico e Político: Facções como PCC e Comando Vermelho movimentam cerca de R$ 300 bilhões por ano, dominando presídios e rotas internacionais. O perigo reside na transição do crime comum para a infiltração na economia formal e na política.
Domínio Territorial: O crime organizado não apenas disputa espaço com a polícia, mas coopta e pressiona o poder público, influenciando diretamente a vida do cidadão em comunidades dominadas.
Ameaça às Eleições de 2026: A Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) identificou que a influência desses grupos em áreas sob seu controle tem potencial para desestabilizar o processo eleitoral de 2026.

Medidas e Desafios para o Brasil
Para evitar a "venezuelização" da segurança pública, especialistas apontam que o Brasil precisa de medidas eficazes e integradas:
Integração Institucional: Superar a polarização política que impede a cooperação entre forças federais e estaduais.
Combate à Lavagem de Dinheiro: Atacar o braço financeiro das facções que permite a infiltração na política e economia.
Presença do Estado: Retomar o controle de territórios onde o poder público foi substituído pela governança do crime.
Enquanto a Venezuela vive o ápice de uma intervenção externa motivada por essas acusações, o Brasil enfrenta o desafio interno de impedir que suas instituições sejam corroídas pelo poder financeiro e territorial do tráfico.