Divergência Continental: O Abismo Diplomático entre Brasil e Argentina sobre a Venezuela
BRASÍLIA, 7 de janeiro de 2026 – A recente captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos consolidou uma das maiores fraturas diplomáticas da história recente na América do Sul. De um lado, o Brasil eleva o tom contra Washington, classificando a ação como "sequestro"; de outro, a Argentina celebra o evento como uma vitória da "liberdade" contra o narcoterrorismo.
Brasil: A Defesa da Soberania e do Multilateralismo
Na reunião do Conselho Permanente da OEA realizada nesta semana, o embaixador brasileiro, Benoni Belli, foi enfático ao rotular a prisão de Maduro como um "sequestro que ultrapassa a linha do aceitável". A posição do Itamaraty fundamenta-se em três pilares:
Afronta Gravíssima: O governo brasileiro vê a ação unilateral dos EUA como um precedente perigoso que ameaça a paz e a estabilidade regional.
Lei da Selva: Há o temor de que o desrespeito às normas internacionais de soberania desintegre a ordem jurídica global, substituindo o diálogo pela força.
Condenação de Bombardeios: Além da prisão, o Brasil condenou os ataques militares na Venezuela, pedindo respeito à autodeterminação do povo venezuelano.
Argentina: O Alinhamento com o "Choque de Liberdade"
Em contrapartida, o presidente argentino Javier Milei tornou-se o principal porta-voz regional em apoio à operação norte-americana.
"A Liberdade Avança": Milei usou suas redes sociais para comemorar a notícia, afirmando que "o tempo para a timidez acabou" no combate ao que chama de "ditadura narcoterrorista".
Escolha Moral: Para a Casa Rosada, o conflito não é jurídico, mas moral: "ou você está do lado do bem ou do mal", declarou o mandatário ao validar a pressão exercida por Donald Trump.
Restrições e Extradição: A Argentina já iniciou medidas para restringir a imigração de venezuelanos ligados ao regime e defende que Maduro seja julgado por crimes contra a humanidade.
Conclusão: Dois Projetos, Duas Américas
O comparativo expõe uma América do Sul dividida por projetos ideológicos antagônicos. O Brasil atua como um mediador institucional, priorizando o Direito Internacional e a estabilidade regional, mesmo sob o risco de ser criticado por "proteger ditadores". A Argentina de Milei posiciona-se como um posto avançado de valores liberais ocidentais, disposta a romper protocolos tradicionais em nome de uma ruptura política brusca no continente.
Essa polarização enfraquece blocos como o Mercosul, onde o consenso tornou-se quase impossível, deixando o futuro da integração regional em um impasse sem precedentes em 2026.






