Mato Grosso x Mato Grosso do Sul: A Força do Norte e o Fardo da Herança Histórica

Em janeiro de 2026, o cenário econômico do Centro-Oeste brasileiro consolida uma tendência observada nos últimos anos: o estado de Mato Grosso (MT) mantém sua posição como a 10ª maior economia regional do país, superando o vizinho Mato Grosso do Sul (MS), que ocupa a 15ª posição no ranking nacional do PIB.

O Gigante do Agronegócio em Ascensão
Mato Grosso deve liderar o crescimento do PIB entre os estados brasileiros em 2025, com estimativas de expansão de até 5,8%, quase o triplo da projeção nacional. O motor dessa economia continua sendo o agronegócio, com destaque para a produção recorde de grãos e pecuária. Embora Mato Grosso do Sul também registre índices expressivos de crescimento (com projeção de 4,2% para 2025), o volume nominal de Mato Grosso é substancialmente maior, refletindo uma integração mais profunda em cadeias globais de exportação.

O Peso da Divisão: A "Herança Maldita"
Apesar da pujança atual, Mato Grosso carrega cicatrizes financeiras do processo de separação ocorrido em 1977. Na época da divisão, o estado remanescente (ao norte) herdou a maior parte da dívida pública e dos encargos administrativos do antigo estado unitário.
Custos Administrativos: Enquanto o sul (MS) foi criado com uma estrutura nova e apoio federal, o norte precisou reorganizar sua administração central em Cuiabá sob forte pressão financeira.
Dívidas Históricas: Por décadas, o orçamento mato-grossense foi sangrado para o pagamento de dívidas que se originaram no momento da divisão e se agravaram nos anos 80 e 90. Apenas em 2014, o governo de Mato Grosso conseguiu quitar uma dessas dívidas históricas com a União, no valor de R$ 5,8 bilhões, referente a contratos assinados ainda na década de 90 para refinanciar débitos anteriores.

Realidades Contrastantes em 2026
Hoje, ambos os estados apresentam solidez fiscal, mas com perfis diferentes. Mato Grosso do Sul bateu recordes históricos de exportação em janeiro de 2026, alcançando US$ 10,7 bilhões em vendas externas. No entanto, Mato Grosso continua a ser o "celeiro do mundo", ostentando uma participação maior na economia brasileira e lidando de forma mais equilibrada com as dívidas do passado, transformando o antigo "custo da divisão" em uma base para investimentos em infraestrutura e logística.
A história mostra que, embora a separação tenha deixado um fardo financeiro pesado para Cuiabá, a explosão das commodities e a expansão da fronteira agrícola permitiram que Mato Grosso não apenas sobrevivesse à divisão, mas se tornasse a locomotiva do Centro-Oeste no século XXI.