Entre a legenda e a gratidão: o coração dividido de Flávia Moretti para 2026
VÁRZEA GRANDE – A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), vive uma encruzilhada política que promete influenciar diretamente as articulações eleitorais de 2026 no segundo maior colégio eleitoral de Mato Grosso. Em declarações recentes, a gestora admitiu estar com o “coração dividido” diante da disputa pelo Palácio Paiaguás nas eleições de outubro.
O dilema partidário
De um lado, pesa a fidelidade à legenda. Principal liderança do PL na Baixada Cuiabana, Moretti é naturalmente pressionada a subir no palanque do senador Wellington Fagundes (PL). O parlamentar tem sido um dos principais articuladores de recursos para Várzea Grande, viabilizando repasses que somam milhões de reais para obras de infraestrutura e fortalecendo o projeto majoritário do partido no Estado.
O fator gratidão
Do outro lado da balança está a relação de proximidade com o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Pivetta foi peça-chave no suporte político que impulsionou a campanha vitoriosa de Moretti à prefeitura. A prefeita já manifestou publicamente sua gratidão, ressaltando que a afinidade pessoal e o apoio recebido tornam a escolha ainda mais delicada.
Fogo amigo
A postura cautelosa da gestora, contudo, não agrada a todos dentro do próprio PL. Nesta semana, o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) elevou o tom ao cobrar alinhamento ideológico total. Para a ala mais conservadora da sigla, não há espaço para neutralidade: o partido exige que seus prefeitos caminhem integralmente com as diretrizes partidárias.
Cenário para Senado e Câmara Federal
Enquanto o apoio ao Governo do Estado segue indefinido, Flávia Moretti já sinaliza posicionamentos em outras disputas de 2026:
Senado: preferência pelos nomes de Mauro Mendes e José Medeiros.
Câmara Federal: apoio declarado ao vice-prefeito Tião da Zaeli, considerado nome certo em seu palanque.
O que diz a prefeita
Questionada sobre a decisão final, Moretti adota um discurso pragmático e cauteloso. “Dinheiro não tem carimbo, e a gestão não pode parar. Meu foco hoje é entregar as obras de água e saneamento. A política de 2026 será decidida no momento das convenções”, afirmou durante evento recente.
Resta saber se a prefeita conseguirá manter o equilíbrio entre legenda e alianças pessoais até as convenções partidárias ou se o “coração dividido” acabará provocando um rompimento com parte de sua base política.






