Tarcísio descarta Planalto e oficializa pré-candidatura à reeleição em São Paulo
SÃO PAULO – Em um movimento que reorganiza o tabuleiro político para as eleições de 2026, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), anunciou oficialmente nesta semana que será candidato à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. A decisão encerra meses de especulações sobre uma possível candidatura presidencial e consolida Tarcísio como a principal liderança da direita no maior colégio eleitoral do país.
Ao optar por permanecer na disputa estadual, o governador afasta-se definitivamente do cenário nacional neste ciclo eleitoral e reforça a estratégia de transformar São Paulo na principal vitrine administrativa do campo conservador.
Unidade no campo conservador
A definição veio acompanhada de um gesto claro de alinhamento político com o clã Bolsonaro. Após um período marcado por distanciamento estratégico e ruídos com a ala mais ideológica do Partido Liberal (PL), Tarcísio declarou apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
“O momento é de união. Meu compromisso é com o estado de São Paulo e com a continuidade de um projeto que está transformando o Brasil a partir daqui”, afirmou o governador durante coletiva de imprensa. Na ocasião, Tarcísio classificou Flávio Bolsonaro como o “nome natural” para liderar a oposição em nível federal.
Gesto de lealdade
Como sinal de reaproximação definitiva com o ex-presidente Jair Bolsonaro, Tarcísio confirmou que fará uma visita institucional ao ex-mandatário no 19º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília, após autorização judicial recente. Para analistas políticos, o encontro simboliza um esforço explícito para evitar a fragmentação do eleitorado conservador, especialmente em São Paulo.
O gesto também é interpretado como uma tentativa de pacificar a base bolsonarista, garantindo apoio integral ao projeto de reeleição do governador.
Cenário eleitoral de 2026
A saída de Tarcísio da disputa presidencial altera significativamente as projeções nacionais. Até então, ele aparecia nas pesquisas como o nome mais competitivo da oposição ao atual governo. Com a decisão, o foco da direita se desloca para a viabilização de Flávio Bolsonaro no plano federal.
Em São Paulo, por sua vez, Tarcísio inicia a corrida eleitoral como franco favorito, sustentado por uma ampla coalizão que reúne Republicanos, PL, PP e PSD. A campanha deve se apoiar em grandes obras de infraestrutura, no avanço das concessões e na privatização da Sabesp, apresentada como símbolo da agenda liberal e de eficiência administrativa.
A estratégia é clara: blindar São Paulo politicamente e utilizá-lo como plataforma de projeção nacional da direita para os próximos ciclos eleitorais.






