Trump sacode Davos com criação de Conselho de Paz e proposta bilionária para Gaza
DAVOS, SUÍÇA – O Fórum Econômico Mundial de 2026 entrou para a história nesta quinta-feira (22) como o palco de uma das iniciativas diplomáticas mais controversas e disruptivas das últimas décadas. Em um discurso que misturou política, negócios e geopolítica, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou oficialmente a criação do chamado “Conselho de Paz” (Board of Peace) — uma estrutura paralela à Organização das Nações Unidas, concebida para redesenhar o equilíbrio de poder no Oriente Médio sob uma lógica empresarial.
Um novo modelo de diplomacia global
Distante dos moldes tradicionais do multilateralismo, o Conselho de Paz foi apresentado como um “clube de investimentos geopolíticos”. Para garantir um assento permanente nas decisões, cada país participante deverá aportar US$ 1 bilhão. Trump assumirá a presidência do órgão e concentrará o único poder de veto, o que, na prática, centraliza o comando das futuras intervenções e projetos de reconstrução.
Segundo o próprio presidente americano, cerca de 20 países já aderiram à iniciativa, entre eles aliados estratégicos e governos alinhados à sua visão, como Argentina, Israel, Arábia Saudita, Turquia e Hungria.
Um “Plano Marshall” com foco em lucro para Gaza
O primeiro grande projeto do conselho mira a reconstrução da Faixa de Gaza, mas com uma abordagem que rompe com o padrão humanitário clássico. Ao lado de Jared Kushner, Trump apresentou uma proposta ambiciosa para transformar o território em um polo turístico e imobiliário de alto padrão, com arranha-céus, resorts de luxo e infraestrutura de ponta voltada ao investimento privado internacional.
“Não estamos falando apenas de paz. Estamos falando de lucro e prosperidade. Gaza pode se tornar a joia do Mediterrâneo”, declarou Trump no auditório principal de Davos, diante de líderes mundiais, executivos de grandes corporações e representantes do mercado financeiro.
Resistência europeia e o dilema do Brasil
A proposta, no entanto, encontrou forte resistência entre líderes europeus. França, Reino Unido e Espanha manifestaram preocupação com o possível esvaziamento do papel da ONU e com a transformação da diplomacia internacional em um instrumento de transações financeiras. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, classificou o conselho como “uma transação comercial disfarçada de diplomacia”, alertando ainda para os riscos de futuras coalizões envolvendo figuras como Vladimir Putin.
O Brasil, por sua vez, adotou uma postura cautelosa. O Palácio do Planalto confirmou o recebimento do convite, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou uma análise técnica detalhada. Diplomatas do Itamaraty avaliam se a adesão poderia comprometer a tradição brasileira de defesa do multilateralismo ou se a exclusão do conselho colocaria o país à margem de decisões econômicas estratégicas no cenário global.
Uma ruptura na ordem internacional
A criação do Conselho de Paz sinaliza uma mudança profunda na arquitetura da governança mundial em 2026. Ao atrelar a paz a aportes financeiros diretos e concentrar poder decisório em um único líder, Trump desafia os pilares do sistema internacional construído desde o pós-Segunda Guerra Mundial.
Resta saber se o Board of Peace será capaz de entregar a estabilidade e a prosperidade prometidas ou se acabará aprofundando fissuras entre as potências tradicionais, os países emergentes e as instituições que, até aqui, sustentaram a ordem global.






