Congestionamento na Direita, Escassez na Esquerda: O cenário que projeta um Congresso predominantemente de direita em 2027.
BRASÍLIA – Enquanto o Palácio do Planalto concentra esforços na recuperação da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a oposição de direita e centro-direita já movimenta suas peças com agressividade mirando as eleições de 2026. O objetivo vai além da disputa presidencial: trata-se de conquistar e consolidar uma maioria absoluta no Congresso Nacional, com atenção especial ao Senado Federal.
O Senado como peça-chave do tabuleiro
Entre especialistas e dirigentes partidários, há consenso de que 2026 será marcado pela chamada “Batalha pelo Senado”. Com a renovação de dois terços das cadeiras — 54 das 81 vagas em disputa —, a direita enxerga uma oportunidade inédita de alcançar o número considerado estratégico: 49 senadores.
Esse quórum permitiria ao bloco conservador:
Eleger o presidente da Casa e controlar a pauta legislativa;
Avançar com pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal, uma das principais bandeiras do núcleo bolsonarista;
Criar obstáculos às indicações do Executivo, que vão desde embaixadores até diretores do Banco Central e ministros de tribunais superiores.
Por que o favoritismo pende à direita?
A projeção favorável à oposição se apoia em fatores estruturais. Segundo análises da Agência Capital, há hoje um verdadeiro “congestionamento” de nomes competitivos no campo conservador, enquanto a esquerda enfrenta uma escassez de quadros viáveis em estados estratégicos fora do Nordeste.
PL e MDB despontam nas pesquisas preliminares para o Senado. O PL, em especial, trabalha com a expectativa de eleger uma bancada histórica: até 20 senadores e 115 deputados federais. A estratégia se ancora no espólio político de Jair Bolsonaro e no capital eleitoral de governadores conservadores em segundo mandato, como Romeu Zema (MG) e Ratinho Júnior (PR), que podem migrar para disputas legislativas caso não avancem rumo ao Planalto.
União no Legislativo, fragmentação no Executivo
Apesar do cenário amplamente favorável no Congresso, a oposição ainda enfrenta incertezas na corrida presidencial. Levantamentos da Quaest, divulgados em janeiro de 2026, apontam Lula com 36% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 23%.
A multiplicidade de nomes no campo da direita — como Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ronaldo Caiado (União Brasil) — é vista como uma vantagem para o governo. “O Centrão hoje aceita que Tarcísio deve permanecer em São Paulo e se divide entre testar candidaturas alternativas ou adotar uma postura de neutralidade”, destaca análise da Folha de S.Paulo.
Obstáculos e incertezas
O caminho, no entanto, não está livre de tensões. A direita no pós-Bolsonaro ainda convive com rachas internos e incertezas judiciais que podem impactar o planejamento eleitoral. Além disso, partidos pragmáticos do Centrão, como o PSD de Gilberto Kassab, tendem a se alinhar conforme o resultado da eleição presidencial, o que pode diluir uma maioria ideológica em favor de uma governabilidade mais fisiológica.
Ainda assim, um ponto parece cada vez mais claro: o Congresso que tomará posse em 2027 deverá ter um perfil fortemente conservador, preparado para exercer o papel de maior contraponto ao Executivo e ao Judiciário na história recente do país.






