Sob a Sombra da Suspeição: Por que Toffoli e Moraes Estão no Centro da Crise do Banco Master

A permanência de Dias Toffoli na relatoria e o direito de voto de Alexandre de Moraes são questionados após revelações de elos financeiros e familiares com o banqueiro Daniel Vorcaro.
O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta uma de suas crises de imagem mais severas. O que começou como uma investigação da Polícia Federal sobre fraudes bilionárias na expansão do Banco Master transformou-se em um imbróglio ético que atinge o coração da Corte. No centro da tempestade, os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes veem sua imparcialidade colocada em xeque por conexões que, para juristas e oposição, tornam qualquer decisão dos magistrados juridicamente frágil.

O "Fator Toffoli": De Relator a Citado

Relator do Inquérito 5026, Dias Toffoli detém a caneta que decide o ritmo das investigações contra Daniel Vorcaro. No entanto, o relatório da PF aponta que a fronteira entre o público e o privado tornou-se turva. A descoberta de que os irmãos do ministro mantinham negócios imobiliários (o resort Taiayá) financiados por fundos ligados ao grupo do banco Master criou o que especialistas chamam de "impedimento clássico".
Ao manter a relatoria e, inclusive, prorrogar o inquérito sob sigilo absoluto, Toffoli alimenta a narrativa de que estaria atuando em causa própria para conter danos colaterais que chegam à sua porta.
O "Contrato de Ouro" e Alexandre de Moraes
A situação de Alexandre de Moraes é igualmente delicada. O contrato de R$ 129,6 milhões entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master é visto como um "blindagem financeira". Embora o ministro não seja o relator, seu voto no plenário e sua influência na Corte são decisivos.
O Código de Processo Civil e o Código de Ética da Magistratura são claros: o juiz deve declarar-se suspeito quando uma das partes é cliente de escritório de advocacia de cônjuge ou parente. No caso Master, o volume financeiro e a natureza do contrato levantam a questão: como Moraes poderia votar com isenção em um processo que envolve a saúde financeira do maior cliente de sua residência?

A Imparcialidade em Jogo

A manutenção dos dois ministros no caso fere o princípio do Juiz Natural e da Imparcialidade. Para que uma decisão judicial seja legítima, ela não deve apenas ser justa, mas parecer justa aos olhos da sociedade.
O pedido de afastamento feito pela Polícia Federal e as movimentações na CPI do Crime Organizado no Congresso Nacional aumentam a pressão. A tese central é de que Toffoli e Moraes não deveriam sequer participar de julgamentos colaterais sobre o tema, sob pena de nulidade absoluta de todo o processo Master.

O Futuro da Investigação

Se o STF não agir para garantir a neutralidade da relatoria, o caso Master corre o risco de se tornar mais um capítulo de impunidade selado por "anomalias processuais". A confiança nas instituições depende da capacidade dos magistrados de reconhecerem quando seus laços pessoais superam seu dever de ofício.