Polarização e empate técnico marcam cenário presidencial de 2026
Brasília A pouco mais de sete meses do primeiro turno das eleições de 2026, o cenário político brasileiro caminha para uma disputa acirrada, com sinais claros de polarização e margem cada vez mais estreita entre os principais concorrentes ao Palácio do
As pesquisas divulgadas na reta final de fevereiro consolidam o embate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Ao mesmo tempo, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, surge como peça estratégica no tabuleiro eleitoral, capaz de alterar o equilíbrio de forças.
Segundo turno em “foto finish”
O dado mais expressivo do mês veio do instituto Paraná Pesquisas, divulgado em 27 de fevereiro. Pela primeira vez na série histórica do levantamento, Flávio Bolsonaro apareceu numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno: 44,4% contra 43,8%.
Embora o cenário configure empate técnico dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais, o resultado acendeu o alerta no Palácio do Planalto. A leitura entre analistas é de que há desgaste na avaliação do governo, especialmente em áreas como economia e segurança pública — temas que vêm sendo explorados com intensidade pela oposição.
Lula lidera no primeiro turno, mas com margem menor
No cenário de primeiro turno, Lula ainda mantém a liderança isolada, porém com vantagem mais estreita do que a registrada ao longo de 2025:
Lula (PT): 39,8%
Flávio Bolsonaro (PL): 33,1%
Ratinho Júnior (PSD): 6,5%
Ronaldo Caiado (União): 3,7%
Romeu Zema (Novo): 2,8%
Os números indicam que, apesar da dianteira, o presidente encontra maior resistência para ampliar sua base além do eleitorado tradicional do PT, enquanto a direita demonstra capacidade de reorganização.
O “fator Tarcísio”
A pesquisa AtlasIntel, divulgada em 25 de fevereiro, acrescentou um elemento novo à disputa. Em um confronto direto, Tarcísio de Freitas aparece com 47,1% das intenções de voto contra 45,9% de Lula.
O levantamento sugere que a direita conseguiu redistribuir o capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro entre novas lideranças, ampliando seu campo de atuação. Já a esquerda enfrenta o desafio de expandir sua influência para além de sua base consolidada.
O desempenho de Tarcísio pressiona tanto o Planalto quanto o próprio campo conservador, que precisará decidir qual nome reúne melhores condições de competitividade nacional.
Março decisivo
Com a aproximação da janela partidária e o início das articulações para as convenções, os próximos trinta dias serão determinantes. A chamada “terceira via”, representada por nomes como Caiado e Ratinho Jr., ainda busca espaço, mas enfrenta dificuldades para romper a polarização.
Se o quadro atual se mantiver, o país pode caminhar para uma reedição do confronto ideológico de 2022 — desta vez com novos protagonistas e um equilíbrio ainda mais delicado.
O que fevereiro deixou claro é que 2026 promete ser uma eleição decidida nos detalhes — e cada movimento estratégico pode redefinir o rumo da disputa.






