Troca na Educação e contrato sem licitação a marca da nova secretaria de Educação de Várzea Grande.
VÁRZEA GRANDE (MT) — A gestão da prefeita Flávia Moretti (PL) enfrenta uma semana de forte turbulência política e administrativa. O cenário combina a troca no comando da Secretaria de Educação com a formalização de um contrato emergencial superior a R$ 32 milhões — ao mesmo tempo em que o vice-prefeito Tião da Zaeli (PL) intensifica críticas públicas à condução do governo.
Logo ao assumir a pasta, a nova secretária de Educação, Maria Fernanda Figueiredo, assinou o Contrato nº 032/2026, no valor de R$ 32.250.270,58. O acordo foi realizado por meio de dispensa de licitação com a empresa TVS Azevedo Comércio de Alimentos Ltda (Supermercado Bendito) e prevê o fornecimento de gêneros alimentícios para as redes de educação e assistência social do município.
A contratação tem como base o Artigo 75 da Lei nº 14.133/2021, que autoriza compras diretas em situações emergenciais. Ainda assim, o alto valor e a ausência de concorrência acendem o alerta sobre o cumprimento dos princípios de economicidade e transparência na administração pública.
Enquanto isso, a crise política se intensifica dentro do próprio Executivo. O vice-prefeito Tião da Zaeli passou a externar publicamente sua insatisfação, afirmando que foi alijado das decisões e que a gestão teria se distanciado das promessas feitas durante a campanha eleitoral de 2024.
Segundo ele, o governo municipal tem reproduzido práticas da administração anterior. Entre os principais pontos levantados estão o suposto “loteamento político” de cargos, com a presença de nomes ligados ao ex-prefeito Kalil Baracat, além do que classifica como inchaço da máquina pública, com aumento no número de secretarias e cargos.
Zaeli também afirma que não tem participação efetiva nas decisões desde o início do mandato, chegando a ironizar a postura da prefeita ao dizer que ela se considera “muito preparada” para governar sozinha.
O ambiente de tensão se agravou após a saída de aliados do vice-prefeito, como o ex-secretário de Educação Igor Cunha, seguida da rápida nomeação de novos gestores que já iniciaram suas atividades com decisões de grande impacto financeiro.
Diante desse cenário, a administração municipal passa a ser acompanhada de perto por órgãos de controle. A expectativa é que o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) e o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) avaliem se a dispensa de licitação atende, de forma rigorosa, aos critérios legais de urgência exigidos pela legislação vigente.







