De Silval Barbosa a Mauro Mendes: Otaviano Pivetta mantém ciclo de promessas e vira continuidade projeto VLT/BRT.
Em meio ao desgaste provocado pelos atrasos nas obras do transporte público em Cuiabá, o governador Otaviano Pivetta voltou a apostar no discurso do futuro: tecnologia, conforto e modernidade. USB nas poltronas, Wi-Fi a bordo e ar-condicionado foram apresentados como garantias de um sistema que, na prática, ainda não saiu do papel.
O problema é que, para quem depende diariamente do transporte coletivo, promessa já não é novidade — é repetição.
A história recente de Mato Grosso é marcada por projetos ambiciosos que não se concretizaram. O VLT prometido na gestão de Silval Barbosa virou símbolo de desperdício e frustração. Na sequência, Pedro Taques também não conseguiu destravar uma solução definitiva. Já Mauro Mendes iniciou o BRT como alternativa mais viável — mas o projeto segue envolto em atrasos, revisões e incertezas.
Agora, sob a condução de Pivetta, o discurso muda de formato, mas não de essência: mais uma vez, fala-se em possibilidades. BRT ou Bonde Urbano Digital (BUD)? Ônibus elétrico, biodiesel ou etanol? Enquanto o governo estuda cenários, a população enfrenta, todos os dias, um sistema precário, caro e ineficiente.
A visita técnica a Curitiba e o interesse pelo modelo desenvolvido pela empresa chinesa CRRC mostram disposição em buscar inovação. No papel, o BUD impressiona: moderno, silencioso e com alta capacidade. Mas Cuiabá não precisa de vitrine tecnológica — precisa de execução.
A insistência em destacar itens de conforto, como entradas USB e Wi-Fi, soa deslocada diante da realidade. Antes de pensar em conectividade digital, o usuário quer previsibilidade: ônibus que passem no horário, viagens menos demoradas e um sistema que funcione.
O transporte público é uma urgência urbana, não um projeto de laboratório. Cada novo estudo anunciado sem conclusão reforça a sensação de que o Estado segue preso em um ciclo de recomeços, onde decisões são constantemente adiadas em nome de soluções “mais modernas”.
Não se trata de ser contra inovação. Pelo contrário: tecnologia é bem-vinda quando vem acompanhada de planejamento, transparência e, principalmente, entrega. O que não cabe mais é transformar o futuro em justificativa para a inércia do presente.
Depois de anos de promessas acumuladas, o que Cuiabá e a região metropolitana precisam não é de mais uma ideia — é de um sistema funcionando. Porque, no fim das contas, passageiro não embarca em discurso.







