Análise: Otaviano Pivetta reforça presença feminina no governo para reduzir desgaste político
Cuiabá – O governador Otaviano Pivetta consolidou, nesta semana, a quarta presença feminina no primeiro escalão ao nomear Flávia Emanuelle para a Secretaria de Educação (Seduc). Embora o discurso oficial destaque critérios técnicos, nos bastidores a movimentação é interpretada como parte de uma estratégia política de olho nas eleições de 2026.
Ao ampliar o protagonismo feminino em áreas estratégicas — como Educação e Segurança Pública —, Pivetta busca fortalecer uma narrativa de gestão equilibrada e inclusiva. O movimento também funciona como resposta preventiva a um tema sensível que adversários devem explorar: o episódio de suposta agressão contra sua ex-esposa, ocorrido em 2021.
O peso do voto feminino
Em um cenário eleitoral que tende à polarização, o voto feminino ganha ainda mais relevância. Nesse contexto, a aposta do governo segue três frentes principais:
Reforço de imagem: associar a gestão a práticas de valorização e confiança nas mulheres.
Antecipação de críticas: usar a composição do secretariado como argumento diante de questionamentos sobre o passado.
Blindagem política: reduzir o impacto de ataques ao apresentar resultados liderados por mulheres em áreas-chave.
Estratégia em curso
A presença de nomes como a coronel Susane Tamanho na Segurança Pública e, agora, de Flávia Emanuelle na Educação indica que o governo vai além da ocupação simbólica de cargos, delegando a mulheres setores sensíveis e de grande visibilidade.
Para a oposição, a pauta da violência doméstica tende a ser central na tentativa de ampliar a rejeição ao governador. Já para Pivetta, o fortalecimento de uma gestão com presença feminina funciona como uma espécie de “vacina política”, buscando neutralizar o tema antes mesmo do início oficial da campanha.
Resta saber se o eleitorado perceberá essa estratégia como um avanço concreto na gestão pública ou como uma movimentação de conveniência no tabuleiro eleitoral.







