Presidente brasileiro rejeita "governança pelo medo" em entrevista

BERLIM – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou as críticas ao ex-presidente e atual candidato à Casa Branca, Donald Trump, durante o encerramento de sua agenda oficial na Europa. Em entrevista concedida à revista alemã Der Spiegel, Lula afirmou que o mundo vive um momento perigoso de desestabilização e que a postura de Trump representa uma ameaça direta à paz global.
"Donald Trump precisa entender que ele não foi eleito para ser o imperador do mundo. Ninguém deu a ele o direito de ameaçar outros países com guerra o tempo todo, seja por questões econômicas ou territoriais", disparou o mandatário brasileiro.

Crítica ao "governo pelo medo"

A fala de Lula ocorre em um contexto de escalada de tensões no Estreito de Ormuz e de pressões diplomáticas sobre o Irã. Para o brasileiro, a diplomacia moderna está sendo substituída por "ameaças em redes sociais", o que, segundo ele, pode transformar o planeta em um "campo único de batalha".
O presidente defendeu que a legitimidade de um líder mundial deve vir do respeito e do diálogo, e não da demonstração de força militar. "O mundo não pode conviver com líderes que tratam a geopolítica como um jogo de força bruta", completou.

Cobrança à ONU

Aproveitando o palco internacional, Lula voltou a cobrar uma reforma urgente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Ele classificou o silêncio da entidade diante das recentes ameaças como uma prova da "destruição do multilateralismo".
Segundo o presidente, ele já iniciou conversas com líderes como Emmanuel Macron (França) e Xi Jinping (China) para formar uma frente que priorize a preservação da paz e a contenção de retóricas belicistas.

Repercussão e Solidariedade

As declarações também tocaram no campo religioso. Lula manifestou solidariedade ao Papa Leão XIV, que recentemente foi alvo de críticas ácidas por parte de Trump após o pontífice pedir moderação nas sanções internacionais.
Apesar do tom duro no exterior, interlocutores do Planalto afirmam que a estratégia de Lula é se posicionar como um mediador global, embora o governo tente, internamente, evitar que as críticas afetem diretamente as relações comerciais bilaterais, caso o republicano retorne ao poder nos EUA.