Do Miau ao Rugido: Paraguai vira Tigre Guarani e atrai onda de empresários brasileiros
Ciudad del Este / Foz do Iguaçu – Enquanto o Brasil ainda tenta encontrar equilíbrio entre reforma tributária, juros elevados e crescimento econômico lento, o Paraguai decidiu acelerar. Em 2026, o país consolidou-se como a economia que mais cresce na América Latina e passou a atrair um número cada vez maior de empresários, investidores e profissionais brasileiros.
O movimento já ganhou apelido nos bastidores do mercado: o nascimento do “Tigre Guarani”.
O que antes era visto apenas como um polo de compras de eletrônicos e importados transformou-se em um destino estratégico para indústrias e empresas que buscam menos burocracia, energia barata e uma carga tributária muito mais enxuta.
A fórmula que seduz empresários
O principal atrativo paraguaio é a simplicidade do sistema tributário conhecido como “Triple 10”:
10% de IVA
10% de imposto de renda empresarial
10% de imposto de renda pessoal
Na prática, empresários brasileiros afirmam que conseguem operar com custos significativamente menores do que no Brasil, onde a carga tributária e a complexidade fiscal continuam sendo obstáculos históricos.
Enquanto empresas brasileiras gastam milhares de horas por ano apenas para cumprir obrigações tributárias, o ambiente de negócios em cidades como Assunção e Ciudad del Este oferece regras mais simples e previsibilidade para investimentos.
A força das maquilas
O avanço não é apenas financeiro — é industrial.
Com a Lei de Maquila, empresas estrangeiras podem importar matéria-prima, produzir em território paraguaio e exportar pagando apenas 1% de imposto sobre o valor agregado.
O modelo tem atraído especialmente indústrias têxteis, metalúrgicas, alimentícias e de tecnologia vindas do Sul e Sudeste do Brasil.
“Não é mais uma questão de escolha, mas de sobrevivência”, relatou um empresário do setor têxtil de Santa Catarina, que transferiu parte da produção para o Paraguai nos últimos meses. Segundo ele, o custo da energia, da mão de obra e da tributação tornou a operação muito mais competitiva.
Além disso, o selo Mercosul permite que produtos fabricados no Paraguai circulem com vantagens comerciais dentro do bloco.
Brasileiros atravessando a fronteira para ficar
O fenômeno já ultrapassa o setor empresarial. O número de brasileiros buscando residência no Paraguai disparou nos últimos anos.
Investidores, produtores rurais, profissionais liberais e até pequenos empresários passaram a enxergar o país vizinho como uma alternativa de estabilidade econômica e segurança jurídica.
Na região da Ponte da Amizade, a movimentação mudou de perfil. Antes, o fluxo era dominado por consumidores brasileiros em busca de compras. Agora, cresce o número de empresas e famílias que cruzam a fronteira para estabelecer negócios e residência permanente.
O alerta para o Brasil
Economistas avaliam que o avanço paraguaio escancara um problema antigo: o chamado “Custo Brasil”.
Com discussões sobre um IVA que pode alcançar níveis próximos de 28%, além de insegurança regulatória e alta burocracia, o país corre o risco de perder competitividade industrial para mercados vizinhos mais agressivos.
Enquanto isso, o Paraguai segue ampliando investimentos, fortalecendo sua política industrial e colhendo os resultados de um ambiente tributário simplificado.
Na fronteira, a metáfora já circula entre empresários: de um lado, o “gatinho” brasileiro tentando sobreviver à burocracia; do outro, o “Tigre Guarani” rugindo cada vez mais alto.








