BANQUEIRO DE TODOS: VORCARO FINANCIA FILMES DE LULA, BOLSONARO E TEMER
SÃO PAULO — O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, tornou-se um personagem improvável no cruzamento entre negócios, cinema e política. Investigações recentes e vazamentos de áudios revelaram que o empresário financiou produções audiovisuais ligadas a três ex-presidentes de campos políticos opostos: Luiz Inácio Lula da Silva, Jair Bolsonaro e Michel Temer.
A revelação mais explosiva envolve o documentário Dark Horse, centrado na trajetória política de Bolsonaro. Áudios vazados colocaram o senador Flávio Bolsonaro cobrando diretamente de Vorcaro o patrocínio da produção. Segundo documentos investigados, os repasses ligados ao projeto somaram cerca de R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025.
Mas o histórico de investimentos culturais do banqueiro vai além do bolsonarismo e evidencia uma atuação sem alinhamento ideológico aparente.
Investimentos atravessam diferentes governos
No caso de Lula, Vorcaro participou do financiamento do documentário biográfico dirigido pelo cineasta norte-americano Oliver Stone, lançado em 2024 e focado na trajetória política do atual presidente.
Já em relação a Temer, o fundo Morriah Asset — ligado à família Vorcaro — adquiriu uma cota de R$ 1 milhão para o filme 963 Dias, obra que retrata os bastidores da gestão do ex-presidente emedebista.
Negócio privado ou influência política?
Aliados de Jair Bolsonaro afirmam que os investimentos possuem caráter estritamente empresarial e privado. A tese defendida é de que Vorcaro atua com foco em retorno financeiro e visibilidade cultural, sem motivação partidária.
Do outro lado, integrantes do governo federal tentam se afastar do caso e negam qualquer relação financeira ou política com o banqueiro e o Banco Master.
Com o avanço das investigações e o aumento da pressão pública, o nome de Daniel Vorcaro passou a ocupar o centro de um debate que mistura financiamento cultural, interesses empresariais e os bastidores da política nacional.








