UFMT perde posições em ranking mundial e queda reforça alerta sobre crise no financiamento da ciência brasileira

Universidade Federal de Mato Grosso recuou 33 colocações no ranking internacional de 2026, mas segue como a principal instituição de ensino superior do estado e entre as melhores do país

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) registrou uma queda de 33 posições no ranking global de universidades divulgado pelo Center for World University Rankings (CWUR) em 2026. A instituição passou da 1.745ª para a 1.778ª colocação mundial, refletindo uma tendência que atingiu grande parte das universidades brasileiras avaliadas.

Mesmo com o recuo, a UFMT mantém sua relevância no cenário acadêmico internacional. Com 67,1 pontos na avaliação, a universidade continua figurando entre as 8,2% melhores instituições de ensino superior do planeta e permanece como a mais bem colocada de Mato Grosso.

No ranking nacional, a UFMT ocupa a 43ª posição entre as universidades brasileiras analisadas. O levantamento do CWUR considera indicadores como qualidade da educação, empregabilidade dos ex-alunos, excelência do corpo docente e impacto das pesquisas científicas produzidas pelas instituições.

Queda reflete cenário nacional

A perda de posições da UFMT acompanha um movimento observado em praticamente todo o sistema federal de ensino superior. Das 52 universidades brasileiras presentes no ranking, 45 registraram queda em relação à edição anterior.

O resultado acendeu um sinal de alerta entre especialistas e gestores da área educacional. A avaliação é de que o desempenho das instituições brasileiras tem sido impactado pelos sucessivos cortes de recursos destinados à ciência, tecnologia e inovação ao longo dos últimos anos.

A redução de investimentos afeta diretamente a concessão de bolsas de pesquisa, a modernização de laboratórios e a capacidade de produção científica, fatores que possuem peso significativo nos principais rankings internacionais.

Desafio para competir globalmente

Enquanto universidades de países desenvolvidos ampliam investimentos em pesquisa e atraem talentos de todo o mundo, instituições brasileiras enfrentam dificuldades para manter infraestrutura adequada e financiar projetos científicos de longo prazo.

Nesse contexto, o desempenho da UFMT é visto como um indicativo da resiliência das universidades públicas brasileiras. Apesar das limitações orçamentárias, a instituição segue entre as principais referências acadêmicas do Centro-Oeste e continua desempenhando papel estratégico na formação de profissionais e na produção de conhecimento para Mato Grosso e para o país.

A queda no ranking, porém, reforça a necessidade de políticas permanentes de fortalecimento da educação superior e da pesquisa científica, consideradas fundamentais para que as universidades brasileiras recuperem competitividade no cenário internacional.