Política com responsabilidade não tem palco para oportunismo em Várzea Grande

Fazer política é servir. Ponto. Quando o mandato vira palanque em cima de tragédia, deixa de ser serviço e passa a ser interesse.

A noite de quarta-feira (17) deixou Várzea Grande em cinzas. O incêndio nos barracões da Secretaria Municipal de Educação consumiu montanhas de livros, cadernos e materiais que deveriam estar nas mãos dos alunos. A perda é considerável. São recursos públicos, são meses de planejamento pedagógico, são crianças que vão sentir na sala de aula o que o fogo levou em horas.

E o que se viu depois? Oportunismo. Vereadores correndo para gravar vídeo, apontar dedo e criar narrativa antes mesmo da fumaça baixar. O momento demonstra radicalmente a necessidade de união para que o povo não sofra ainda mais com as perdas. Mas parte da classe política preferiu o caminho fácil: transformar dor coletiva em discurso eleitoral.

Cabe aos órgãos competentes apurar as causas. É o Corpo de Bombeiros que vai dizer se foi curto-circuito, é a perícia que vai apontar se houve negligência, é o Tribunal de Contas que vai auditar o prejuízo e o sumiço de livros que já vinha sendo investigado. Criar narrativas agora, sem laudo e sem dado, só ajuda a fomentar mais desarmonia e menos avanço, progresso.

Tá na hora de um basta! Cobrar, fiscalizar é direito do parlamentar. É dever. Mas buscar culpados antes da investigação, subir o tom, alimentar discurso de ódio não muda a realidade. Apenas estica ainda mais a corda, acirra o ódio e trava a cidade. Escola queimada não se reconstrói com live. Se reconstrói com trabalho, com orçamento e com união.

Precisamos que o bom senso renasça naqueles que deixaram lá atrás o crédito do voto que tiveram, trocando mandato por poder e dinheiro. O voto não é cheque em branco para vaidade. É contrato com o povo. E o povo de Várzea Grande hoje precisa de resposta, não de espetáculo.

Tá na hora da ficha cair. Cada um precisa fazer sua parte: Executivo tem que repor o material e garantir aula, Legislativo tem que fiscalizar com seriedade e cobrar plano de ação, órgãos de controle têm que apurar e punir se houver erro. Mas unir a cidade tem que ser o mais importante neste momento.

Política responsável não grita em cima de escombros. Ela arregaça a manga e ajuda a tirar o entulho. Várzea Grande não aguenta mais divisão. O prejuízo já é grande demais para a gente pagar o preço da politicagem também.