Meio século de fé e resistência: Ilé Asé Omorodé Ati Oya celebra 50 anos preservando a tradição dos Orixás em Mato Grosso
Meio século de fé e resistência: Ilé Asé Omorodé Ati Oya celebra 50 anos preservando a tradição dos Orixás em Mato Grosso
Ao completar 50 anos de existência, o Ilé Asé Omorodé Ati Oya reafirma sua importância como um dos mais tradicionais espaços de preservação da religiosidade afro-brasileira em Mato Grosso. A celebração do jubileu, realizada neste 27 de junho, vai muito além de uma comemoração de aniversário: representa cinco décadas de resistência cultural, fortalecimento da identidade negra, transmissão de conhecimentos ancestrais e promoção da diversidade religiosa.
Em um período em que as religiões de matriz africana ainda enfrentam preconceitos e desafios para o pleno exercício de sua fé, a trajetória do Ilé Asé Omorodé Ati Oya simboliza perseverança. Ao longo de meio século, a casa consolidou-se como um espaço onde espiritualidade, cultura e comunidade caminham juntas, preservando tradições que atravessaram gerações desde o continente africano até o Brasil.
A história da instituição começou pelas mãos do saudoso Bàbálórìṣà Francisco de Ibualamo (in memoriam), reconhecido como uma das grandes lideranças da religiosidade afro-brasileira no estado. Seu trabalho foi marcado pelo compromisso de manter vivos os fundamentos dos Orixás, o respeito aos ancestrais e os ensinamentos transmitidos oralmente entre gerações, pilares que permanecem presentes na identidade da casa.
Ao longo desses 50 anos, centenas de pessoas passaram pelo Ilé em busca de acolhimento espiritual, orientação e pertencimento. Mais do que um templo religioso, o espaço tornou-se um importante centro de convivência comunitária, onde valores como solidariedade, respeito à natureza, valorização da cultura negra e fortalecimento dos vínculos familiares são cultivados diariamente.
A permanência desse legado demonstra a força das tradições afro-brasileiras e sua contribuição para a formação da identidade cultural de Mato Grosso. Em cada celebração, em cada canto, nos toques dos atabaques, nas folhas sagradas e nos rituais dedicados aos Orixás, permanece viva a memória daqueles que construíram a história do Ilé.
As comemorações do cinquentenário reúnem integrantes da comunidade, filhos de santo, familiares, amigos e convidados em um dia marcado pela confraternização e pela espiritualidade. A programação começou com um café da manhã comunitário e será encerrada à noite com a realização do tradicional Siré, cerimônia festiva dedicada aos Orixás, caracterizada pelos cantos litúrgicos, danças e manifestações que expressam a riqueza da herança cultural africana preservada no Brasil.
Para a Íyálórìṣà Marildes de Oya, conhecida como Mãezinha de Oya, a celebração representa um compromisso renovado com a continuidade da tradição.
"Celebrar os 50 anos do Ilé Asé Omorodé Ati Oya é honrar aqueles que vieram antes, reconhecer o legado deixado por Bàbá Francisco de Ibualamo e reafirmar o compromisso de manter viva a chama do Asè para as futuras gerações."
Mais do que recordar o passado, o jubileu do Ilé Asé Omorodé Ati Oya projeta o futuro. Ao completar cinco décadas de história, a instituição reafirma seu papel como guardiã da ancestralidade, da memória coletiva e da diversidade cultural, mantendo viva uma tradição que continua transformando vidas e fortalecendo a identidade afro-brasileira em Mato Grosso.






