Nem Janaina, nem Podemos: quem é Fábio Garcia, o empresário e ex-deputado escolhido para ser vice de Pivetta
Secretário da Casa Civil, ex-deputado federal e um dos principais articuladores do grupo político liderado por Mauro Mendes, Fábio Garcia ganhou ainda mais protagonismo nas convenções partidárias desta semana ao ser confirmado como candidato a vice-governador na chapa de Otaviano Pivetta. A indicação deixou de fora nomes que vinham sendo especulados, como a deputada Janaina Riva e lideranças do Podemos, consolidando Garcia como peça central da sucessão estadual.
Engenheiro civil e empresário, Fábio Paulino Garcia, de 49 anos, iniciou sua carreira política ao lado de Mauro Mendes ainda na Prefeitura de Cuiabá, onde ocupou a Secretaria de Governo em 2013. Em 2014, foi eleito deputado federal por Mato Grosso e, desde então, tornou-se um dos principais articuladores do grupo político hoje liderado pelo governador Mauro Mendes. Também exerceu mandato de senador como suplente de Jayme Campos e comandou a Casa Civil do Estado.
Família ligada à construção pesada
A trajetória empresarial da família Garcia sempre caminhou paralelamente à política. Fábio é filho do empresário Robério Garcia, conhecido como "Berinho", fundador da Engeglobal, uma das maiores empreiteiras de Mato Grosso.
A empresa participou de diversas obras públicas de grande porte, especialmente durante os preparativos para a Copa do Mundo de 2014. Entre elas estão intervenções no Aeroporto Marechal Rondon, Centros Oficiais de Treinamento (COTs) e obras de infraestrutura urbana. Diversos desses empreendimentos enfrentaram atrasos, paralisações, aditivos contratuais e questionamentos por órgãos de controle ao longo dos anos, tornando a empresa alvo frequente de críticas políticas e reportagens.
Relação próxima com Mauro Mendes
Dentro do grupo governista, Fábio Garcia é considerado um dos homens de maior confiança de Mauro Mendes.
Além de ocupar cargos estratégicos nos governos do atual governador, Garcia é apontado como responsável por boa parte das articulações políticas do Executivo junto à Assembleia Legislativa, prefeitos e partidos aliados.
Sua escolha para compor a chapa de Otaviano Pivetta foi interpretada nos bastidores como uma decisão pessoal de Mauro Mendes para garantir continuidade política e fortalecer a influência do grupo nas eleições estaduais.
Negócios privados também despertam atenção
Além da atuação política, Fábio Garcia possui participação em diversas empresas dos setores de energia, investimentos e infraestrutura.
Reportagens publicadas nos últimos anos destacaram que ele passou a integrar sociedades empresariais com integrantes da família Mauro Mendes, incluindo o filho do governador, fato que alimentou críticas da oposição sobre a proximidade entre negócios privados e o núcleo político estadual. Não há, contudo, decisão judicial que tenha reconhecido ilegalidade nessas sociedades.
Patrimônio e carreira empresarial
Antes da política, Garcia trabalhou em empresas nacionais e internacionais dos setores de energia e investimentos. É engenheiro civil formado pela PUC-Campinas e cursou pós-graduação em administração e finanças em Harvard.
Na Justiça Eleitoral declarou patrimônio milionário em suas campanhas, compatível com sua atuação empresarial.
Episódios de desgaste político
Ao longo da carreira, Fábio Garcia enfrentou momentos de desgaste político.
Em 2017, quando ainda era filiado ao PSB, entrou em conflito com a direção nacional do partido por divergências em votações no Congresso Nacional. O Conselho de Ética da legenda chegou a recomendar sua expulsão, levando-o posteriormente a migrar para o Democratas, partido que mais tarde integrou a formação do União Brasil.
Sua proximidade com grandes empresários da construção civil e do setor energético também costuma ser utilizada por adversários políticos como argumento de crítica, especialmente durante períodos eleitorais.
Vice de Pivetta muda cenário político
A confirmação de Fábio Garcia como candidato a vice-governador representou uma vitória do núcleo político de Mauro Mendes e encerrou as especulações envolvendo outros partidos da base.
Nos bastidores, a avaliação é que Garcia agrega capacidade de articulação política, trânsito junto ao empresariado e experiência administrativa, tornando-se um dos principais responsáveis pela coordenação política de uma eventual futura gestão de Otaviano Pivetta.
Ao mesmo tempo, sua indicação reacende debates sobre a forte presença de grupos empresariais tradicionais na política mato-grossense e a influência de famílias historicamente ligadas ao setor da construção civil nas decisões do Estado.






