Mauro Carvalho Junior anuncia saída da Casa Civil e diz que deixa cargo para se dedicar à família e esclarecer fatos
Ex-secretário-chefe da Casa Civil afirma que decisão ocorre por motivos pessoais e para se dedicar às empresas; saída acontece em meio ao cenário político e às investigações da Operação Heritage
O secretário-chefe da Casa Civil de Mato Grosso, Mauro Carvalho Junior, anunciou nesta terça-feira (11) sua saída do cargo. Em uma carta direcionada aos mato-grossenses, Carvalho afirma que deixa a função para se dedicar integralmente à família, às suas empresas e, segundo ele, para “esclarecer estes fatos e provar a minha inocência”.
Na carta, Mauro Carvalho Junior afirma que sua decisão não ocorre por “ambição nem vaidade”. Ele relembra que havia deixado a Casa Civil em julho de 2023 para assumir o mandato de senador e que, posteriormente, recebeu novo convite para retornar ao governo.
Segundo o ex-secretário, em dezembro de 2025 recebeu um convite de Otaviano Pivetta e Mauro Mendes para retornar ao governo. Ele relata que inicialmente recusou, mas depois de algumas semanas decidiu aceitar o convite, assumindo novamente a Casa Civil em abril de 2026.
“Saio hoje pela mesma razão pela qual entrei: lealdade”, afirma Carvalho na carta.
Saída ocorre em momento de pressão política
A renúncia ocorre em um momento particularmente delicado para o grupo político que comandou o Governo de Mato Grosso nos últimos anos.
Carvalho Junior também afirma que pretende se dedicar às suas empresas e à família enquanto trabalha para esclarecer os fatos que, segundo ele, atingem sua imagem.
O anúncio ganha repercussão adicional diante das investigações envolvendo integrantes e pessoas ligadas ao núcleo político e empresarial do governo estadual. O caso envolve apurações da Polícia Federal relacionadas a operações que investigam suspeitas sobre negócios, recursos públicos e relações empresariais.
Reportagens anteriores já haviam apontado para a existência de questionamentos sobre um acordo envolvendo o Estado de Mato Grosso e a operadora Oi, com movimentações financeiras que chegaram a ser objeto de apuração pública.
“Provar a minha inocência”
Um dos trechos de maior impacto da carta é justamente aquele em que Mauro Carvalho Junior relaciona sua saída à necessidade de esclarecer os fatos.
Ele afirma que deixa o cargo para poder se dedicar integralmente à família, às empresas e “esclarecer estes fatos e provar a minha inocência”.
A declaração coloca a saída do comando da Casa Civil também no campo político, já que Carvalho ocupava uma das posições mais estratégicas da administração estadual.
O Senado registra Mauro Carvalho Junior como primeiro suplente de Wellington Fagundes para o mandato de 2023 a 2031.
Investigação
A saída também ocorre em meio às investigações que atingem o entorno político do governo. É importante ressaltar que ser citado, investigado ou alvo de apuração não significa condenação, e eventuais responsabilidades deverão ser definidas pelas autoridades competentes e pelo Poder Judiciário.
Até o momento, a própria carta de Carvalho apresenta sua posição de defesa: ele sustenta que pretende deixar a função justamente para ter condições de esclarecer os fatos e demonstrar sua inocência.
A movimentação deverá aumentar a pressão sobre o Palácio Paiaguás e abrir uma nova frente de especulações sobre os próximos passos do grupo político formado por Mauro Mendes e Otaviano Pivetta.
A saída de Mauro Carvalho Junior, portanto, não é apenas uma mudança administrativa. O movimento acontece em meio a um ambiente de forte tensão política e investigações, tornando a carta de renúncia um documento com peso político muito maior do que uma simples despedida do cargo






