Panhô, sim: Pedro Taques volta à ofensiva e diz que denúncias sobre R$ 308 milhões chegaram à investigação federal

Ex-governador afirma que apresentou documentos à PGR e intensifica pressão sobre Mauro Mendes; caso envolve acordo entre o Governo de Mato Grosso e a Oi e uma cadeia de fundos de investimento

O ex-governador de Mato Grosso Pedro Taques (PSB) voltou a intensificar nas redes sociais as acusações contra o governador Mauro Mendes (União) envolvendo o chamado “Caso Oi”, operação financeira que movimentou R$ 308 milhões em recursos públicos.

Com o bordão “Panhô ou não panhô?”, expressão cuiabana que significa “pegou ou não pegou?”, Taques sustenta que o dinheiro pago pelo Estado teria percorrido uma cadeia de fundos de investimento antes de chegar a empresas ligadas a familiares e pessoas próximas ao grupo político de Mauro Mendes.

A denúncia ganhou repercussão nacional após reportagem do UOL apontar que os R$ 308 milhões pagos pelo Estado em 2024 alimentaram fundos que mantinham relações financeiras com empresas ligadas às famílias Mendes e Garcia.

Taques diz que “panhô”

Em manifestações públicas, Taques afirma que apresentou representações à Procuradoria-Geral da República, ao Ministério Público Estadual, ao Tribunal de Contas e à Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

Na CPI do Crime Organizado do Senado, em março, o ex-governador voltou a detalhar sua versão sobre o caminho dos recursos. Segundo Taques, os R$ 308 milhões foram inicialmente divididos entre os fundos Royal Capital e Lotte Word, com R$ 154 milhões para cada um.

A partir deles, os recursos teriam circulado por outros fundos, entre eles Golden Bird, Coliseu, Venture Finance, GS Heritage e 5M Capital. Taques afirmou que a documentação disponível na Comissão de Valores Mobiliários permitiu reconstruir parte dessa movimentação sem necessidade de quebra de sigilo bancário.

Na avaliação apresentada pelo ex-governador, a cadeia financeira teria levado recursos a empresas ligadas ao filho de Mauro Mendes, Luís Antônio Taveira Mendes, além de empresas relacionadas à família de Fábio Garcia.

A origem dos R$ 308 milhões

O episódio começou com uma disputa tributária envolvendo o Estado de Mato Grosso e a operadora Oi.

Em abril de 2024, o governo estadual celebrou acordo que resultou no pagamento de aproximadamente R$ 308 milhões. A ação popular apresentada por Taques questiona a legalidade do acordo e a forma como os recursos foram destinados.

Reportagem do UOL apontou que os fundos que receberam os valores posteriormente se relacionaram com operações envolvendo empresas ligadas à família Garcia e empresas administradas pelo filho do governador. Entre os exemplos citados estão a aquisição de debêntures da Sollo Energia e de notas promissórias da Minerbrás, empresas administradas por Luís Antônio Taveira Mendes.

O próprio Senado registrou, nas notas taquigráficas da CPI, a exposição feita por Taques sobre essa cadeia de fundos e os questionamentos relativos ao destino dos recursos.

Mauro Mendes nega irregularidades

Mauro Mendes nega que tenha cometido qualquer irregularidade e sustenta que o acordo foi legal, homologado judicialmente e vantajoso para Mato Grosso.

A defesa do governador argumenta que o Estado teria encerrado uma disputa envolvendo uma dívida que, com atualização, alcançaria valor muito superior aos R$ 308 milhões efetivamente pagos, gerando economia aos cofres públicos.

O caso, portanto, envolve duas versões distintas: Taques sustenta que houve irregularidades na negociação e no caminho posterior dos recursos; Mendes afirma que a operação foi regular e economicamente favorável ao Estado.

Na própria CPI do Senado, o relator Alessandro Vieira fez uma distinção entre a discussão sobre a legalidade do acordo e a necessidade de esclarecer o destino dos recursos após o pagamento.

Ação chega ao Tribunal de Justiça

O caso continua tendo desdobramentos judiciais. Em 28 de julho de 2026, o desembargador Jones Gattass Dias, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, determinou a citação e notificação de 19 réus em ação popular relacionada aos R$ 308,1 milhões.

A decisão ocorreu depois de o relator verificar que parte dos envolvidos ainda não havia apresentado manifestação no processo. Entre os fundos mencionados estão justamente Royal Capital, Lotte Word, Golden Bird, Coliseu, Venture Finance, GS Heritage e 5M Capital.

“Panhô, sim”, provoca Taques

Com o processo avançando e o tema voltando ao centro do debate político de Mato Grosso, Pedro Taques transformou a expressão “Panhô ou não panhô?” em uma das principais marcas de sua ofensiva contra Mauro Mendes.

A frase, inicialmente usada para questionar o destino dos R$ 308 milhões, passou a ocupar espaço nas redes sociais e no debate eleitoral de 2026.

Mas, juridicamente, a questão ainda está em disputa: as acusações de Taques são objeto de processos e investigações, enquanto Mauro Mendes e os demais citados negam irregularidades.

Até o momento, portanto, “panhô” é a acusação política de Taques — não uma conclusão judicial definitiva sobre responsabilidade criminal ou desvio de recursos.