MP recomenda apuração sobre ex-diretor do DAE que agora atua como líder da prefeita

Ex-presidente do DAE, Rogério de França Martins, é alvo de recomendação do Ministério Público após vídeo em que aparece recebendo maços de dinheiro; atualmente, ele ocupa posição de liderança política ligada à prefeita de Várzea Grande

O Ministério Público de Mato Grosso recomendou à Prefeitura de Várzea Grande a instauração de procedimento administrativo para apurar a conduta de Rogério de França Martins, ex-diretor-presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE) do município.

A recomendação foi expedida pela 1ª Promotoria de Justiça Cível de Várzea Grande após a divulgação de um vídeo no qual Rogério aparece recebendo maços de dinheiro. O Ministério Público pretende esclarecer a origem dos valores e verificar se existe relação entre o recebimento do dinheiro e o exercício de funções públicas, recursos da autarquia ou interesses de terceiros.

De acordo com a recomendação, caso sejam confirmadas irregularidades, os fatos poderão ter desdobramentos nas esferas administrativa e de improbidade, além de eventual responsabilização criminal, dependendo do que for constatado durante a apuração.

Do comando do DAE à liderança política

A situação ganha novo peso político porque Rogério de França Martins deixou o comando do DAE, mas permanece próximo ao núcleo político da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, atuando atualmente como uma das principais lideranças políticas do grupo.

A mudança de função não elimina a necessidade de esclarecimento sobre fatos eventualmente relacionados ao período em que esteve à frente da autarquia. Pelo contrário, a recomendação do Ministério Público coloca sob escrutínio público a trajetória de um agente que deixou uma função estratégica da administração municipal e passou a exercer papel político relevante junto à prefeita.

O procedimento administrativo deverá justamente verificar o contexto em que os valores foram recebidos, sua origem, eventual relação com o cargo ocupado anteriormente e se houve participação de recursos públicos ou interesses vinculados ao DAE.

Ministério Público quer respostas

A recomendação não significa, por si só, que Rogério tenha cometido crime ou ato de improbidade. A apuração deverá reunir documentos, informações e demais elementos necessários para esclarecer os fatos.

O caso, porém, aumenta a pressão sobre a Prefeitura de Várzea Grande, especialmente porque o ex-dirigente do DAE continua exercendo influência política dentro do grupo da prefeita.

Agora, caberá à administração municipal adotar as providências recomendadas pelo Ministério Público e esclarecer, de forma formal, as circunstâncias envolvendo o vídeo e os valores recebidos.