Mais uma dissidente: Flávia Moretti apoia Pivetta e pode ser a próxima expulsa do PL?

Prefeita de Várzea Grande contraria candidatura de Wellington Fagundes, desafia orientação nacional da legenda e afirma que não pretende pedir desfiliação

A crise interna do Partido Liberal em Mato Grosso ganhou um novo capítulo com a declaração de apoio da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

Mesmo pertencendo ao partido do senador Wellington Fagundes, candidato ao Governo de Mato Grosso, Flávia decidiu caminhar com o principal adversário do correligionário. A manifestação aumenta o grupo de dissidentes do PL e coloca a prefeita sob risco de enfrentar um processo disciplinar interno.

A informação foi publicada inicialmente pelo Noveen.

Durante uma agenda pelas ruas de Várzea Grande, Flávia afirmou que sua decisão foi motivada pela atuação de Pivetta no atendimento às demandas do município, principalmente nas áreas de saúde, infraestrutura, pavimentação e abastecimento de água.

“Hoje declaro não apenas o apoio. Declaro meu voto. O coração manda e a razão obedece. O mais importante é que não é por partido, não é por eleição. É pela competência de gestor público”, afirmou a prefeita.

Flávia também declarou que o governador “abraçou Várzea Grande” e atendeu problemas apresentados pela administração municipal.

Prefeita não pretende deixar o PL

Apesar de contrariar a orientação partidária, Flávia Moretti garante que não pretende abandonar o PL e afirma não temer eventuais punições.

“Não temo punições. Não tenho medo. Mas não vou me desfiliar”, declarou à Gazeta Digital.

A posição transfere para a direção partidária a responsabilidade pelo próximo movimento. Caso o PL considere que houve descumprimento das regras internas, poderá instaurar procedimento disciplinar contra a prefeita.

Uma eventual expulsão, entretanto, não pode ser aplicada automaticamente. Flávia deverá ter direito à notificação, apresentação de defesa e julgamento pelas instâncias partidárias competentes.

Ela será a próxima expulsa?

A possibilidade existe, mas ainda não há confirmação de que um processo de expulsão tenha sido formalmente aberto contra Flávia Moretti.

A Executiva Nacional do PL estabeleceu uma orientação proibindo manifestações públicas de apoio a candidatos de outras legendas quando o próprio partido possui candidatura na disputa. O descumprimento pode resultar em advertência, suspensão ou expulsão, conforme a avaliação interna.

A situação de Flávia é semelhante à do prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira, que subiu no palanque de Pivetta e pediu votos ao governador. Após o episódio, o presidente estadual do PL, Ananias Filho, cobrou que Cláudio deixasse voluntariamente o partido, sob ameaça de expulsão.

No caso de Flávia, a pressão tende a ser ainda maior porque sua manifestação foi explícita, gravada e divulgada pela própria campanha de Pivetta.

O vereador Bruno Rios (PL), de Várzea Grande, também declarou apoio ao governador e pode enfrentar procedimento disciplinar. Segundo o portal A Folha News, a direção partidária deverá discutir quais medidas serão adotadas contra os dois filiados.

Wellington é contrário às expulsões

Apesar da pressão exercida por setores da direção partidária, Wellington Fagundes já afirmou ser contrário à expulsão dos prefeitos que escolheram apoiar Pivetta.

O senador disse que os gestores precisam ter liberdade para defender os interesses de seus municípios e destacou que prefeitos dependem da relação institucional com o Governo do Estado para conseguir obras e recursos.

“Eu não defendo isso. Acredito que todo mundo tem que ter liberdade”, afirmou Wellington em declaração publicada pela Gazeta Digital.

A posição conciliadora de Wellington, entretanto, não impede que a direção estadual ou nacional do PL avalie possíveis punições.

Expulsão não ameaça mandato de prefeita

Mesmo que seja expulsa do PL, Flávia Moretti não perderia automaticamente o mandato de prefeita de Várzea Grande.

O Supremo Tribunal Federal estabeleceu que as regras de perda de mandato por infidelidade partidária não se aplicam aos cargos eleitos pelo sistema majoritário, como presidente, governador, prefeito e senador. O entendimento também é registrado na jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral.

Além disso, quando o desligamento ocorre por decisão do próprio partido, e não por iniciativa voluntária do filiado, a jurisprudência eleitoral afasta a perda do mandato por infidelidade.

Portanto, o risco para Flávia é essencialmente partidário e político: perder espaço dentro do PL, ser afastada das decisões da legenda ou acabar expulsa. Sua permanência no comando da Prefeitura de Várzea Grande não depende da manutenção da filiação.

Racha expõe fragilidade do projeto de Wellington

A adesão da prefeita de Várzea Grande a Pivetta possui peso político porque ocorre em uma das maiores cidades de Mato Grosso e amplia a resistência interna à candidatura de Wellington Fagundes.

Com integrantes do PL nas principais cidades caminhando em direção diferente da definida pela legenda, o partido entra na campanha dividido entre a candidatura própria de Wellington e a continuidade do grupo político ligado ao governador.

Agora, a dúvida é se a direção do PL adotará contra Flávia Moretti o mesmo tom aplicado a Cláudio Ferreira ou se buscará evitar novas expulsões e um aprofundamento ainda maior da crise partidária.