Paula mantém candidatura, mas grupo ainda não tem maioria e eleição de outubro pode virar o jogo
Presidente reúne 13 vereadores, precisa chegar a 14 para vencer a disputa e depende de 18 votos para alterar o Regimento; grupo de Ilde Taques, ligado a Max Russi, segue decisivo
A presidente da Câmara de Cuiabá, Paula Calil (PL), afirmou que continuará trabalhando por sua candidatura à reeleição enquanto houver possibilidade política e jurídica para viabilizar o projeto.
Em entrevista ao MidiaNews, Paula declarou que o grupo governista permanece unido e que qualquer mudança de candidato será discutida coletivamente.
“Enquanto não esgotarmos todos os caminhos possíveis, eu continuo candidata”, afirmou a presidente ao portal.
Apesar da declaração, o cenário continua completamente aberto. O grupo de Paula reúne atualmente 13 vereadores, segundo a própria parlamentar. O número demonstra força política, mas ainda não representa maioria absoluta entre os 27 integrantes da Câmara. Para vencer a eleição da Mesa Diretora, são necessários pelo menos 14 votos.
Mudança no Regimento exige 18 votos
Antes de buscar os 14 votos necessários para vencer a eleição, Paula enfrenta um obstáculo ainda maior: tornar sua candidatura juridicamente possível.
O atual Regimento Interno impede a recondução consecutiva ao mesmo cargo dentro da legislatura. Para modificar essa regra, o grupo governista precisa do apoio de dois terços da Câmara, o equivalente a 18 vereadores.
A recente decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve essa exigência. Portanto, os 13 apoios anunciados por Paula não são suficientes nem para garantir a vitória na eleição da Mesa nem, principalmente, para aprovar a mudança regimental que permitiria sua candidatura.
Caso os 18 votos não sejam alcançados, o grupo terá de escolher outro nome para disputar a presidência. Dilemário Alencar (União Brasil) aparece como uma das alternativas, mas a transferência automática dos votos de Paula para ele não está garantida.
Resultado de 4 de outubro pode mudar alianças
Outro componente importante será o resultado das eleições gerais de 4 de outubro. Embora a escolha da nova Mesa Diretora não aconteça nessa data, o desempenho dos principais grupos políticos nas urnas poderá alterar compromissos e alianças dentro da Câmara.
Vereadores envolvidos nas campanhas para deputado estadual e federal, assim como suas principais lideranças, deverão reavaliar posições após conhecerem quem saiu fortalecido ou enfraquecido das urnas. Por isso, o quadro atual não pode ser tratado como definitivo.
O próprio prefeito Abilio Brunini (PL) já declarou anteriormente que nenhum dos grupos tinha os 14 votos assegurados e avaliou que os vereadores poderiam rever suas posições depois das eleições gerais.
Grupo de Ilde e influência de Max Russi
Do outro lado da disputa está o vereador Ilde Taques (Podemos), que mantém sua candidatura e representa um grupo politicamente ligado ao deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos).
Essa articulação poderá ser determinante para o desfecho. Caso o grupo de Max Russi saia fortalecido das urnas em 4 de outubro, Ilde poderá ampliar sua capacidade de negociação e atrair vereadores ainda indecisos.
Por outro lado, uma vitória expressiva das forças alinhadas ao prefeito Abilio Brunini poderá dar novo impulso à tentativa de Paula ou ao candidato escolhido pelo grupo governista.
O cenário, portanto, permanece dividido: Paula tem 13 vereadores, mas precisa de 14 para formar maioria e de 18 para modificar o Regimento. Ilde também precisa ampliar seu grupo para garantir a presidência.
Até a votação definitiva, qualquer mudança de lado poderá virar completamente o jogo. A conferir.






