Urnas quebram ciclos políticos e deixam Campos, Riva, Fávaro e Pinheiro sem mandato em MT
Derrotas de Júlio Campos, Janaina e Jéssica Riva, Carlos e Rafaela Fávaro e Emanuelzinho produzem cenário raro na política mato-grossense e interrompem sequências familiares de décadas no poder
As eleições deste domingo (4) não definiram apenas novos representantes de Mato Grosso. As urnas também produziram uma das maiores mudanças geracionais da política recente do Estado.
Quatro sobrenomes historicamente ligados ao poder mato-grossense — Campos, Riva, Fávaro e Pinheiro — encerraram o pleito sem conseguir renovar a representação eletiva de seus grupos familiares para a próxima legislatura.
O resultado é especialmente simbólico porque envolve famílias que, em momentos diferentes, ocuparam Senado, Câmara Federal, Assembleia Legislativa, Governo do Estado e prefeituras importantes.
Riva: aposta no Senado termina em terceiro lugar
Talvez a virada mais surpreendente tenha ocorrido com Janaina Riva (MDB). Depois de três mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa e de ter sido uma das deputadas estaduais mais votadas de Mato Grosso, ela abriu mão da tentativa de reeleição para disputar uma das duas vagas ao Senado.
Com 89,15% da apuração, Janaina aparecia em terceiro, com 14,34% dos votos válidos. As duas cadeiras ficaram com Mauro Mendes (União), com 33,31%, e Zé Medeiros (PL), com 27,56%. Carlos Fávaro aparecia na quarta posição, com 11,29%.
A derrota ganhou dimensão ainda maior porque a família tentou manter sua cadeira na Assembleia por meio de Jéssica Riva (MDB), irmã de Janaina. Jéssica também não conseguiu se eleger.
Na prática, o resultado interrompe uma sequência iniciada com José Riva e mantida posteriormente por Janaina. É a primeira vez em cerca de 32 anos que a família ficará sem representação eletiva no Estado.
Fávaro perde Senado e filha não chega à Assembleia
O domingo também foi particularmente duro para a família Fávaro.
Atual senador e ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD) buscava permanecer no Senado, mas terminou atrás de Mauro Mendes, Zé Medeiros e Janaina Riva. Com quase 90% da apuração, registrava 11,29% dos votos válidos, insuficientes para uma das duas vagas.
O atual mandato de Fávaro termina em fevereiro de 2027. Ele chegou ao Senado após a eleição suplementar de 2020. A página oficial do Senado registra seu mandato atual até 2027.
Ao mesmo tempo, sua filha Rafaela Fávaro (PSD) tentou entrar na Assembleia Legislativa, mas não conquistou uma das 24 cadeiras.
Assim, a estratégia de manter Carlos Fávaro em Brasília e abrir uma nova frente política da família na Assembleia não prosperou nas urnas.
Júlio perde vaga e Campos ficam fora
Outro resultado de forte peso histórico foi a derrota de Júlio Campos (União) na tentativa de permanecer na Assembleia Legislativa.
Ex-governador, ex-senador, ex-deputado federal e ex-prefeito de Várzea Grande, Júlio voltou à Assembleia em 2023, mas agora ficou fora da composição da próxima legislatura.
O momento coincide com a saída do irmão Jayme Campos do Senado ao final do atual mandato. Jayme chegou a tentar viabilizar candidatura ao Governo de Mato Grosso, mas perdeu internamente no União Brasil a disputa pela candidatura, e o partido acabou apoiando Otaviano Pivetta.
A consequência é rara: uma das famílias mais tradicionais da política de Várzea Grande e de Mato Grosso chega a 2027 sem a representação parlamentar que manteve por diferentes períodos ao longo de décadas.
Emanuelzinho fica fora da Câmara
A família Pinheiro também sofreu um revés importante.
Emanuelzinho (PSD), que buscava seu terceiro mandato consecutivo como deputado federal, não conseguiu permanecer entre os oito representantes de Mato Grosso na Câmara dos Deputados.
Ele havia sido eleito pela primeira vez em 2018, aos 23 anos, e reeleito em 2022.
Sua saída interrompe a presença atual de uma família que atravessa três gerações na política: o avô Emanuel Pinheiro da Silva Primo, o ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro e, posteriormente, Emanuelzinho em Brasília.
Eleitor impõe renovação
O resultado não significa que Campos, Riva, Fávaro ou Pinheiro estejam fora definitivamente da política. Todos ainda conservam estruturas partidárias, bases eleitorais e condições para disputar futuras eleições.
Mas a fotografia deixada pelas urnas de 4 de outubro de 2026 é incomum: quatro grupos familiares que ajudaram a moldar diferentes períodos da política de Mato Grosso sofreram derrotas simultâneas.
Mais do que derrotar candidatos individualmente, o eleitor mudou a composição do poder.
E, a partir de 2027, cadeiras que durante anos estiveram associadas a alguns dos sobrenomes mais conhecidos de Mato Grosso passarão a ser ocupadas por outros grupos políticos.







