Flávio Bolsonaro defende capital de giro das empresas e propõe retirar split payment da reforma
Presidenciável afirma que recolhimento automático de tributos pode comprometer o caixa dos negócios e promete buscar apoio do Congresso para alterar o mecanismo.
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) colocou a preservação do capital de giro das empresas no centro de sua crítica ao split payment, mecanismo previsto na reforma tributária. Nesta quinta-feira (8), em Brasília, o senador afirmou que pretende articular com o Congresso eleito a retirada do dispositivo, sob o argumento de proteger a capacidade financeira dos negócios.
A declaração ocorreu durante manifestação de apoio de integrantes do Podemos à sua candidatura. Ao abordar o tema, Flávio destacou o intervalo entre o recebimento das vendas e o pagamento aos fornecedores, citando prazos de 30 a 45 dias.
“Isso acaba ou impossibilita, inviabiliza a empresa ter um capital de giro”, afirmou. Na avaliação do candidato, a separação automática dos tributos pode reduzir a margem de organização financeira das empresas e dificultar a manutenção das atividades.
O posicionamento dá destaque a uma questão central para quem empreende: a disponibilidade de recursos para sustentar a operação cotidiana. O capital de giro permite administrar estoques, salários, fornecedores e outras despesas enquanto os recebimentos acontecem em datas diferentes.
O split payment prevê a separação do valor dos tributos quando o pagamento é efetivamente liquidado. Uma parcela segue para o vendedor e outra é destinada ao recolhimento da CBS e do IBS. A legislação estabelece implantação gradual e permite hipóteses de adoção facultativa. Nas vendas parceladas pelo fornecedor, o recolhimento deve acompanhar proporcionalmente a liquidação das parcelas.
A ferramenta busca tornar a arrecadação mais eficiente e reduzir sonegação e fraudes. Portanto, a previsão de inviabilidade financeira apresentada por Flávio é uma avaliação do candidato, e não um efeito comprovado para todas as empresas.
Ao defender a mudança, o presidenciável leva ao debate tributário a preocupação com o dinheiro disponível para manter os negócios funcionando. Sua proposta coloca em evidência a necessidade de avaliar os efeitos da transição sobre o planejamento financeiro de quem produz, comercializa e presta serviços.







