Mato Grosso abre 2,2 mil empregos, mas indústria e construção civil fecham vagas e revelam contraste econômico

Enquanto o agronegócio e os serviços sustentam o saldo positivo de contratações, setores ligados à produção e às obras registram retração no mercado formal.


Mato Grosso encerrou setembro de 2026 com saldo positivo de 2.233 empregos com carteira assinada, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta semana.

O resultado reforça a capacidade de geração de empregos no estado, especialmente em atividades ligadas ao agronegócio e ao setor de serviços.

Entretanto, uma análise mais detalhada revela um cenário desigual.

Enquanto alguns segmentos avançam, a indústria e a construção civil encerraram o mês com mais desligamentos do que contratações.

Os números mostram duas realidades

Ao longo de setembro, Mato Grosso registrou 53.927 admissões e 51.694 desligamentos.

O setor de serviços apresentou o melhor desempenho, com abertura líquida de 1.757 empregos.

A agropecuária veio em seguida, com 1.043 novas vagas, impulsionada pelo início do plantio da safra de soja.

O comércio também apresentou saldo positivo, de 299 postos.

Na direção contrária, a indústria fechou 602 vagas, enquanto a construção civil perdeu 264 empregos formais.

Construção civil merece atenção

O desempenho negativo da construção civil chama a atenção em um estado que registra expansão imobiliária, crescimento urbano e investimentos em infraestrutura.

Embora um único mês não determine uma tendência, a retração merece acompanhamento, especialmente diante do peso do setor na geração de empregos e na movimentação de atividades como comércio de materiais, serviços técnicos e transporte.

O mercado imobiliário também depende da confiança dos consumidores, do acesso ao crédito e da capacidade de financiamento das famílias.

Juros elevados e custos de produção podem dificultar novos investimentos e pressionar empreendimentos.

Nem tudo são más notícias

No acumulado de janeiro a setembro, Mato Grosso criou 39.681 empregos formais.

Todos os cinco grandes setores econômicos registraram saldo positivo no período, incluindo indústria e construção civil.

Esse resultado demonstra que a retração observada em setembro ainda não representa, isoladamente, uma crise generalizada.

Contudo, serve de sinal para empresários, trabalhadores e autoridades econômicas.

O Bate Pronto do News Cuiabá destaca: gerar empregos é importante, mas manter a diversidade das atividades econômicas é essencial para reduzir a dependência de determinados setores.

O desafio de Mato Grosso é transformar sua força produtiva em crescimento sustentável, com oportunidades tanto no campo quanto nas cidades.