Queda do WhatsApp, Instagram e Facebook deixa usuários sem resposta e derruba ações na Bolsa

Usuários do WhatsApp, Instagram, Messenger e Facebook relataram nas redes sociais que os serviços pararam de funcionar no início da tarde desta segunda — tanto na versão web (para computadores) quanto nos aplicativos para celular.

Os relatos sobre a queda dos serviços começaram por volta de 12h30 (horário de Brasília) entre os usuários. Mas os problemas não se restringem ao Brasil. Os serviços estão indisponíveis em várias partes do mundo.

Ao CNN Brasil Business, o WhatsApp afirmou que “está investigando o motivo dessa instabilidade” e que irá “compartilhar novidades” assim que tiver completado a investigação.

Em seu perfil oficial no Twitter, o app de mensagens completou que “está ciente de que algumas pessoas estão enfrentando problemas com o WhatsApp no momento”. “Estamos trabalhando para que as coisas voltem ao normal e enviaremos uma atualização aqui assim que possível”, diz o post.

O Facebook também usou o Twitter para se posicionar sobre a situação. “Estamos cientes de que algumas pessoas estão tendo problemas para acessar nossos aplicativos e produtos. Estamos trabalhando para que as coisas voltem ao normal o mais rápido possível e pedimos desculpas por qualquer inconveniente”, disse a empresa.

O Instagram, por sua vez, afirmou que a rede social e “seus amigos estão passando por um momento difícil”. “Tenha paciência conosco, estamos trabalhando nisso”, disse a empresa.

IMPACTO NAS AÇÕES - As ações do Facebook, listadas na Nasdaq, em Nova York, caíam mais de 5% na tarde desta segunda-feira (4), em um dia em que as páginas e aplicativos do grupo saíram do ar em todo o mundo e também em meio a quedas generalizadas no setor de tecnologia.

Por volta das 15h30, os papéis caíam 5,45%, cotados a US$ 324,30. A Nasdaq caía 2,3%.

O QUE ACONTECEU? - Nenhum dos aplicativos explicou qual o problema, e o motivo da interrupção não foi imediatamente esclarecido. No entanto, vários especialistas em segurança apontaram rapidamente para um problema de Sistema de Nomes de Domínio, conhecido pela sigla em inglês DNS, como um possível culpado.

Por volta das 13h no horário do leste dos EUA, a ThousandEyes, divisão de análise de Internet da Cisco, disse no Twitter que seus testes indicam que a interrupção se deve a uma falha contínua de DNS. O DNS traduz nomes de sites em endereços IP que podem ser lidos por um computador. Geralmente é chamada de “lista telefônica da Internet”.

Segundo o site DownDetector, que monitora sites e apps que não estão funcionando, 38% dos problemas mais notificados no WhatsApp têm relação com o envio de mensagens, bem como no Messenger, enquanto os feeds do Instagram e do Facebook não carregam.

Fabro Steibel, conselheiro da MIT Sloan Review Brasil e diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS) explica que o Facebook tem um plano de resiliência, ou seja, de absorver eventuais problemas técnicos para uma retomada imediata do sistema.

“Mas um problema de infraestrutura pode estar causando esse longo período fora do ar. Isso só pode ser cravado após análise técnica.” Fabro também não descarta possíveis ataques hackers.

Arthur Igreja, especialista em inovação, cibersegurança e tecnologia, também destaca que os motivos levantados até agora não passam de especulação, que só pode ser cravado após análise técnica. “Mas é o provável seja a questão de infraestrutura na internet mesmo.”

DENÚNCIAS - A instabilidade veio na manhã seguinte ao programa “60 Minutes”, famoso nos Estados Unidos, transmitir uma entrevista com a denunciante do Facebook, Frances Haugen, que afirmou que a empresa está ciente de como suas plataformas são usadas para espalhar ódio, violência e desinformação, e que o Facebook tentou esconder essa evidência. O Facebook rejeitou essas afirmações.

A entrevista ocorreu após semanas de reportagens e críticas ao Facebook, depois que Haugen divulgou milhares de páginas de documentos internos para reguladores e para o Wall Street Journal. Haugen deve testemunhar perante um subcomitê do Senado na terça-feira (5).

Não há indícios, por enquanto, que a queda dos serviços do Facebook  esteja relacionada às revelações.

OUTRAS REDES SOCIAIS ESTÃO INSTÁVEIS? - Minutos depois de o WhatsApp sair do ar, começaram a pipocar nas redes sociais queixas de usuários sobre instabilidade no aplicativo de conversas Telegram. É possível que o concorrente do aplicativo de Mark Zuckerberg esteja sofrendo com um excesso de usuários, conforme sugerem comentários no DownDetector.

Usuários do TikTok também passaram a apontar problemas na ferramenta nas últimas horas, segundo o site que monitora sites e aplicativos que não estão funcionado.

O CNN Brasil Business entrou em contato com as empresas e ainda aguarda resposta.

QUANDO OS SERVIÇOS RETORNAM? - As empresas não deram uma previsão sobre quando os serviços serão normalizados.

Segundo Arthur Igreja, esta pode ser considerada uma queda histórica, já que em outras falhas das redes, o tempo médio foi de uma a duas horas de duração. Esta já dura quatro horas.

Para ele, a queda tão demorada deve impactar por um período, até que todo o sistema esteja reestabelecido. “É ‘efeito dominó’, quando uma rede falha automaticamente, a procura pela outra acaba crescendo. E isso gera uma sobrecarga.”

QUAIS SÃO AS ALTERNATIVAS DE APLICATIVOS PARA TROCAR MENSAGENS DE GRAÇA? A CNN separou algumas alternativas de aplicativos de troca de mensagens.

Telegram

O Telegram já é um famoso concorrente do WhatsApp no Brasil, e possui funcionalidades semelhantes que não devem ser um percalço para quem ainda não é familiarizado com ele, como envio expresso de texto, áudios, fotos, criação de grupos, vídeochamadas, compartilhamento de figurinhas, entre outros.

Signal

O Signal teve um pico de popularidade após o WhatsApp ter anunciado mudanças nas configurações de privacidade e chegou a ser elogiado por Elon Musk, o bilionário dono da Tesla.

WeChat

Fenômeno na China, também gratuito e com funcionalidades semelhantes aos demais, o WeChat pode ser especialmente interessante para aqueles que comunicam-se globalmente: o aplicativo oferece tradução simultânea em mais de 20 idiomas.

Viber

O aplicativo japonês Viber foi criado em 2010 pouco depois do WhatsApp, que nasceu em 2009 nos Estados Unidos, e também popularizou-se entre os meios gratuitos de troca de mensagens.

Skype

Conhecido no Brasil há tempos como uma das primeiras ferramentas para chamadas de vídeo a longa distância, o Skype dispõe de um chat mais simples que as alternativas anteriores, mas também permite o compartilhamento de imagens, vídeos e até chamadas de voz para celulares e telefones fixos a taxas locais. Além disso, o uso vai além do celular e do computador e tem um bom funcionamento em tablets.

Google Chat

Uma boa alternativa para quem usa os serviços do Google no dia-a-dia – como o Google Chrome, Gmail, Drive e outros – é utilizar o Google Chat.

 

FOTO: DIVULGAÇÃO CNN



ENQUETE

Você pretende se vacinar?
PARCIAL